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"Achou que fossem garrafas"

Ex-sargento do Exército responde em liberdade após atropelar jovem

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A defesa de Guilherme da Silva Oliveira, de 22 anos, apresentou uma justificativa polêmica para o atropelamento de uma jovem no Riacho Fundo, Distrito Federal. Segundo a advogada do réu, ele não percebeu que havia atingido a estudante Maria Clara Facundo, de 20 anos, na madrugada do dia 25 de abril. A alegação é de que o barulho do impacto teria sido confundido com a quebra de recipientes de vidro. “Como a vítima estava com duas garrafas de cerveja na mão, ele escuta o barulho do vidro. Ele não viu que tinha atropelado alguém. Ele achou que tivesse passado por cima de garrafa”, declarou a advogada, justificando ainda que o cliente entrou em pânico quando compreendeu a gravidade da situação.

A versão da defesa confronta diretamente a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Os promotores apontam que o motorista conduzia o veículo em alta velocidade, na contramão e em marcha à ré no momento em que atingiu Maria Clara perto de uma faixa de pedestres. Imagens do local registraram o instante em que a jovem foi atingida e arrastada pelo asfalto. Logo após o impacto, o condutor fugiu sem prestar qualquer tipo de socorro à vítima, o que levou a promotoria a enquadrar o caso como tentativa de homicídio com dolo eventual, argumentando que o motorista assumiu o risco de matar.

Para o Ministério Público, as circunstâncias daquela madrugada transformaram o veículo em uma verdadeira arma. De acordo com a acusação, o então sargento dirigia sob o efeito de álcool e substâncias entorpecentes, expondo a comunidade a um cenário de perigo comum. A denúncia criminal contra o jovem de 22 anos também incluiu a qualificadora de uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, dada a natureza repentina e violenta da manobra em marcha à ré que surpreendeu a estudante e sua amiga durante a travessia da via pública.

O caso provocou sérias repercussões na trajetória do acusado. Guilherme estava detido desde o dia 28 de abril em uma unidade militar devido ao seu cargo na época. Contudo, no último dia 13, o Exército Brasileiro formalizou a sua expulsão definitiva das fileiras da corporação. Poucos dias após perder o vínculo militar, na terça-feira (21), a Justiça do Distrito Federal determinou a soltura do motorista, que agora responderá ao processo criminal por tentativa de homicídio em regime de liberdade temporária.

Enquanto o acusado aguarda as próximas etapas judiciais fora da prisão, a vítima enfrenta as duras sequelas deixadas pelo crime. Maria Clara sofreu fraturas na bacia, no rosto e um traumatismo craniano, passando 17 dias internada no hospital. “Eu fiz duas cirurgias, coloquei placas, pinos, então eu sinto muita dor no frio. E esforço eu não consigo fazer”, relatou a estudante. A jovem, que ainda necessita de sessões constantes de fisioterapia leve e não consegue ficar em pé por longos períodos, teve sua rotina completamente interrompida e permanece impossibilitada de retomar as atividades de trabalho.

Além das dores físicas, o impacto financeiro agrava a situação da família da estudante, que cobra o suporte financeiro determinado pela Justiça. O advogado de Maria Clara, Pablo Thafarel, ressaltou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos parentes e exigiu o cumprimento das obrigações materiais por parte do réu. “A gente não quer crucificar ninguém, a gente só quer que seja cumprida a decisão judicial, já que ele está em liberdade”, cobrou o assistente de acusação, evidenciando o descompasso entre a liberdade concedida ao motorista e o sofrimento contínuo da vítima.

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