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Dr. Leo

A história, os segredos e os encantos do cão Maltês

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

O Maltês é aquele tipo de cachorro que consegue roubar a atenção por onde passa. Com seu tamanho compacto e sua pelagem branquinha que mais parece uma nuvem, esse pet conquistou lares no mundo inteiro. Também conhecido carinhosamente como bichon maltês, ele é o legítimo “cão de colo”, perfeito para quem busca um parceiro leal e cheio de vida para todas as horas.

Embora o seu nome faça uma referência direta à charmosa ilha de Malta, localizada na região central do Mar Mediterrâneo, a verdadeira pátria desse peludinho é outra. O país que detém o título oficial de patrono da raça é a Itália. É de lá que vêm as diretrizes que definem os padrões desse cãozinho que se tornou um dos favoritos das famílias brasileiras.

A história do Maltês é tão rica que chega a se confundir com o início da própria civilização. Historiadores apontam que a raça é extremamente antiga, servindo de inspiração para desenhos e esculturas que datam de 4.000 a.C. Apesar de alguns pesquisadores defenderem que ele surgiu na Ásia, a hipótese mais aceita é a de que suas raízes estão mesmo fincadas na ilha de Malta.

Independentemente de onde tenha nascido, o pequeno canino já cruzava os oceanos no século XV. Naquela época, os marinheiros europeus viajavam com esses cães a bordo e os utilizavam como uma valiosa moeda de troca nos portos onde atracavam. Foi assim que o Maltês começou a se espalhar pelo continente europeu e a desenhar sua trajetória de sucesso.

Com o tempo, o charme do bichinho chamou a atenção da realeza europeia, e ele foi desenvolvido sob medida para se tornar um cão de companhia de luxo. Uma das grandes responsáveis por popularizar a raça na Inglaterra foi a Rainha Maria Stuart, da Escócia. No Brasil, o auge da sua fama aconteceu por volta do ano 2000, quando ele estourou e virou uma das dez raças mais comuns do país.

Naquela época antiga, existia uma lenda curiosa de que o Maltês possuía poderes mágicos de cura. As pessoas acreditavam tanto na capacidade do animal de curar enfermidades que era muito comum colocá-lo na cama, bem encostadinho com os doentes. Essa crença era tão forte que artesãos do passado chegavam a confeccionar luvas utilizando os pelos macios do próprio cachorro.

O sucesso do Maltês não ficou restrito aos palácios e às lendas médicas; ele também virou estrela no mundo das artes plásticas. Ao longo dos séculos, a raça serviu de modelo para pintores consagrados de diferentes movimentos artísticos. O cãozinho branco foi imortalizado em telas famosas de mestres da pintura, como o espanhol Francisco Goya e o britânico Sir Joshua Reynolds.

Olhando de perto para as suas características físicas, o Maltês impressiona pela delicadeza de suas proporções. Ele é um animal de pequeno porte que atinge, no máximo, 25 centímetros de altura até a região da cernelha (o ombro do cão). No peso, ele também é bem leve, dificilmente ultrapassando a marca dos 4 quilos na balança.

O grande destaque visual da raça é a sua pelagem densa, lisa, sedosa e muito brilhante, que se divide ao meio na linha do dorso e escorre até o chão. A cabeça ostenta fios longos que se misturam com a barba. A cor padrão deve ser o branco puro, sendo tolerado no máximo um tom de marfim pálido; marcas alaranjadas são vistas como imperfeições indesejáveis.

Para quem sofre com espirros e alergias, o Maltês traz uma excelente notícia: ele é um animal considerado hipoalergênico. Isso acontece porque a raça não possui subpelo e praticamente não solta pelos pela casa. Outra vantagem para quem mora em apartamentos é que ele é um cão que late muito pouco, embora seja um excelente “cão de alarme”, sempre alerta aos barulhos.

Por trás de toda essa pose de bicho de pelúcia, existe um animal transbordando energia e que adora se movimentar. Por ter um metabolismo considerado lento, o Maltês tem uma tendência natural à obesidade se ficar muito tempo parado. Por isso, os tutores precisam criar uma rotina consistente de exercícios físicos para manter a saúde do bichinho em dia.

No entanto, é importante lembrar que ele não é um atleta de alta resistência e não foi feito para esportes pesados. O ideal para a raça: caminhadas diárias moderadas de aproximadamente uma hora, cobrindo um percurso de pouco mais de 1 quilômetro. O uso de brinquedos interativos dentro de casa também é uma excelente estratégia para gastar a energia do pet.

A personalidade do Maltês é marcada pela docilidade, curiosidade e por um comportamento extremamente brincalhão e amigável. Ele se adapta com enorme facilidade à rotina dos seus donos, mas exige bastante atenção e carinho em troca. O tutor ideal precisa estar ciente de que esse cachorro odeia a solidão e não lida bem com a ideia de passar longos períodos sozinho.

A inteligência da raça vai muito além do papel de apenas fazer companhia no sofá. O Maltês se destaca frequentemente como animal de terapia para confortar pessoas e faz bonito em competições de obediência, tracking (rastreamento) e agility. No ranking oficial de inteligência canina, ele ocupa a 59ª posição, o que às vezes se traduz em uma leve teimosia na hora do adestramento.

Como toda raça pura, o tutor do Maltês precisa ficar atento a alguns pontos sensíveis em relação à saúde do animal. Os problemas mais comuns que costumam afetar esses cães são as alergias de pele e a chamada luxação de patela, uma má formação no osso do joelho que pode sair do lugar e causar dores. Consultas regulares ao veterinário garantem que esse companheiro tão especial viva uma vida longa, saudável e feliz.

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Instagram: @leoobernar

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