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Sem cor, cheiro e sabor

E esse padrão, como se chama?

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

As coisas e as pessoas andam perdendo a cor, o cheiro e o sabor.

Não sei em que isso se enquadra. Não sei nem se existe um nome para esse fenômeno. De repente, tudo se mistura e uma série de repetições começa a acontecer.

Vejo isso nos crimes, nos golpes, nas negativas às quais as pessoas se entregam e até na forma como justificam seus próprios erros.

Não sei exatamente o que é. Na minha força mística, sinto que esse movimento nos aprisiona a novos padrões de desculpas, muito mais elaborados e consistentes do que os de antigamente.

É um ódio gratuito que nem as novelas seriam capazes de retratar com tanta intensidade.

Todo mundo quer mandar, fazer e acontecer, mas nem todos suportam o peso da responsabilidade.

Tudo vira “brincadeira”. Tudo é motivo para minimizar o que foi feito. E aquilo que parecia pequeno se transforma numa bola de fogo, como lava vulcânica descendo a montanha e destruindo tudo pelo caminho.

Antes, eu ainda acreditava que, nos relacionamentos, as pessoas sempre encontrariam um jeito de se entender, assim como acontece no trabalho. Afinal, muitas vezes controlamos nossas palavras e atitudes justamente para preservar o vínculo.

Só que hoje parece diferente.

O ser que se considera humano simplesmente não está nem aí.

O que está acontecendo com a humanidade? Em vez de evoluir, parece que estamos piorando… e muito.

O que fizeram com o amor? Com o respeito? Com o carinho?

Será que, em breve, estaremos usando verbos que deixarão de ser conjugados?

Ou, pior ainda, eles serão exclusivos para determinados lugares, pessoas ou situações, como já acontece com a palavra “saudade”, que parece existir apenas onde ainda houve afeto?

Em que momento esse buraco se abriu? E, principalmente…

Ainda temos tempo de alinhar tudo isso?

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