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Hospital (ou farmácia), supermercado e banco

Três lugares onde as pessoas rezam com força (e não é na igreja)

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Quem é do povo, povo mesmo, gosta de uma fila e adora deixar tudo para a última hora. E eu não estou fora dessa afirmação.

Na fila da farmácia, que mais parecia fila de banco, conheci um senhor recém-aposentado e recém-separado. Sim, eu sei disso porque, em poucos minutos, ele contou praticamente toda a trajetória da vida dele.

A conversa começou com a distribuição de medicamentos, passou pela política, percorreu a medicina (afinal, de médico todo mundo tem um pouco) e terminou, como quase sempre acontece, na vida pessoal.

O jovem senhor falou da separação, do amor que sempre teve pela profissão e do orgulho de toda a carreira como motorista. Segundo ele, nunca sofreu um acidente grave, nem atropelamento, nem capotamento, apesar de admitir que gostava de velocidade.

Foi aí que a história realmente prendeu minha atenção.

Seu Zé começou a falar dos trajetos que fazia na empresa onde trabalhou por muitos anos. Entre eles, citou uma rua por onde passo quase todos os dias: a famosa Rua Arthur Rios.

É uma via longa, monitorada por radares e com limite de velocidade relativamente baixo. Os ônibus devem trafegar pela faixa da direita, enquanto os carros utilizam a da esquerda. Logo no início há uma curva bastante perigosa, praticamente sobre um cruzamento, o que exige que todos reduzam a velocidade, principalmente porque o trecho é pouco iluminado.

Há ainda outro detalhe importante: em quase toda a sua extensão, a rua acompanha o Rio Cabuçu, que transborda com facilidade. Quando chove forte, a via costuma ficar interditada, obrigando motoristas e passageiros a enfrentarem um longo desvio.

Mesmo assim, Seu Zé contou, com um sorriso no rosto, que adorava entrar naquela rua em alta velocidade e só diminuía quando se aproximava do primeiro radar, ali perto do Detran.

Foi então que relembrou:

— Eu entrava com tudo! As rodas faziam aquele barulho e o pessoal gritava:

— Vai virar!

E ele respondia, morrendo de rir:

— Claro que vai! Estamos numa curva!

Até aí eu já estava achando a história ótima… mas ainda tinha mais.

Ele contou que, quando o ônibus estava muito cheio, dava uma “freiadinha” de propósito para os “bonecos” se ajeitarem e não ficarem tão colados nele ou espremidos nas portas.

Sem entender, perguntei:

— Bonecos?

— Sim… os passageiros.

Continuei intrigada.

— Isso no micro-ônibus?

Ele respondeu, naturalmente:

— Não… no barraco normal! Achei que tinha ouvido errado.

— Barraco?

Ele riu e explicou:

— É assim que a gente chama o ônibus entre os motoristas. Confesso que fiquei completamente abismada.

Mas, pensando bem… na minha profissão também temos nossas expressões, apelidos e códigos que só quem trabalha na área entende.

No fim das contas, toda profissão cria seu próprio idioma (códigos, apelidos e expressões).

E você? No seu ambiente de trabalho também existem apelidos ou codinomes que só quem faz parte da equipe entende?

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