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Voto consciente

Quem compra gato por lebre abre jaula de fera devoradora de eleitor

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Em 2026, o eleitorado recorrerá às urnas para seis escolhas: deputado federal, deputado estadual (ou distrital, no caso do DF), dois senadores, governador e presidente da República. Os deputados são eleitos pelo sistema proporcional. Nesse modelo, as cadeiras são distribuídas entre os partidos, conforme sua votação total, e preenchidas pelos candidatos mais votados dentro das legendas, de acordo com o cálculo do quociente eleitoral e partidário.

Já os senadores, governadores e presidente são escolhidos em eleições de natureza majoritária, ou seja, ganha quem tiver a maioria dos votos. É assim para presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores. Em ambos os casos, a vitória em 1º. turno exige a maioria absoluta dos votos válidos, isto é 50% mais um. Caso contrário, a eleição será decidida em 2º. turno entre os dois candidatos mais votados.

O Senado Federal terá 54 cadeiras renovadas (dois terços do total de 81), seguindo o sistema de rodízio a cada quatro anos. Também de forma majoritária simples, os dois candidatos com a maior votação em cada estado são eleitos. O mandato dos senadores dura oito anos. Os de presidente, governador e deputados federais, estaduais e distritais duram quatro anos. Conforme a legislação, somente partidos com registro definitivo podem lançar candidaturas.

Atualmente, há 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maioria do tipo sem destino e negociável a preço de banana podre. É muito partido para um povo partido. Azar do povo. Apesar da sopa de letrinhas partidárias, a legislação eleitoral também permite a formação de federações partidárias, nas quais duas ou mais siglas atuam como um único partido por, no mínimo, quatro anos, inclusive no momento de apresentar seus candidatos.

Resta a cada um dos cerca de 160 milhões de eleitores escolher com a cabeça que pensa, sob pena de continuarmos elegendo políticos que transformam seus mandatos em um meio de vida. Não nos esqueçamos jamais que, antes das eleições, os candidatos têm muitos predicados. Ou seja, a gente só conhece o sujeito inteiro depois dele eleito. Quanto a nós, eleitores, é desnecessário ser muito inteligente para saber em quem não votar nas eleições de outubro próximo. Votar em gato como se fosse lebre é o mesmo que escolher a fera que vai nos devorar durante quatro longos anos.

Independente do cargo a ser ocupado, temos de estar atentos à falsidade dos candidatos. O fingimento e a dissimulação começam pelas fotos e pelos santinhos que eles distribuem no período da enganação. As fotografias têm tanto photoshop e tantas mentiras que o político fica irreconhecível até para a família. Como faz tempo deixei de acreditar em duendes, fadas, bruxas e mitos, em época de eleição eu desconfio até da simpatia excessiva do vizinho ou do amigo de copo. Prefiro os abraços desinteressados. Antecipadamente, informo que meu voto tem valor sentimental, ou seja, não tem preço.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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