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Emoções

Menininha e a campainha

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Ter amigos é viver com emoção, mesmo quando a gente não espera. Depois de amadurecida, ainda fica aquele ar de que alguma coisa vai dar errado…

Para você que não conhece o Rio de Janeiro, venha sem pressa e com muito dinheiro, porque até os programas gratuitos saem caros!

Um grupo de professoras se reúne e marca um tour pelo Centro.

Como cada uma mora em um bairro diferente, combinamos de ir de trem, e cada uma embarca na estação mais próxima de casa.

Algumas não conseguem chegar, outras marcam e não vão. Tudo normal. Isso sempre acontece. Descemos na Largo da Carioca e seguimos para a estação do bondinho.

Nosso destino era o Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

Lugar lindo, com uma vista fascinante. A manhã estava com um tempo ameno, perfeita para caminhar.

Menininha cismou que deveríamos voltar pela Lapa. Então seguimos por uma rua ao lado para descer a Escadaria Selarón.

Passando por muitas construções antigas, algumas já sem a devida preservação, uma das meninas, professora de História, começou a fazer observações sobre os telhados e explicar quais classes econômicas moravam naquela região no século passado.

Modéstia à parte, eu amo nossos rolês pelo Centro. Sempre tem um detalhe novo e, de quebra, uma aula gratuita. Como sempre, o grupo logo se espalhou pela rua, andando como se carro nenhum passasse por ali.

Foi então que, ao passar em frente a uma das casas… Menininha apertou a campainha.

Trimmmm…

Alguém respondeu lá de dentro. Os cães começaram a latir.

Nossa reação? Corremos.

E corremos muito!

Aquela rua de paralelepípedos ficou para trás em tempo recorde.

Quando chegamos a um ponto mais distante, já perto da escadaria, paramos para recuperar o fôlego e começamos a rir.

— Quem foi?

Menininha, toda sem graça, levantou a mão:

— Eu…

Pediu desculpas.

Todas rimos.

E, numa sintonia perfeita, pensamos a mesma coisa:

“Mas… por que a gente saiu correndo?” Parecia coisa de criança.

E era.

Ninguém sabia explicar.

Seguimos o passeio, tiramos fotos e mais fotos na Escadaria Selarón. Alguns minutos depois, um jovem senhor — gato, por sinal — nos abordou. Cumprimentou a todos e perguntou:

— Por que vocês correram? Ficamos sem entender.

Então ele completou:

— Eu vi! Lá em casa tem câmera! Gente…

Nessa hora, nossa cara foi ao chão. Rimos de novo.

Ficamos morrendo de vergonha.

Pedimos desculpas e explicamos que tinha sido apenas uma reação completamente sem sentido. Menininha, às vezes, tem uns trens desses.

Por isso, sempre precisamos segurar a mão dela e mantê-la bem no meio do grupo. Vai que ela resolve apertar outra campainha…

Ô pessoa curiosa!

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