Curta nossa página


Alguns se salvam

Líderes que se acham reis tropeçam nas próprias pernas

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Tem pessoas que se travestem de político, alcançam o estrelato como presidente da República e só aí é que descobrem que não são deste mundo, pois, mais do que simples parlamentares ou mandatários, eles se acham geniais em tudo que fazem e pensam. Não são poucos os tipos que acreditam ser a encarnação de famosos e históricos imperadores. Alguns exacerbam e se consideram astros de primeira grandeza, obrigando seus povos, tido como súditos, a assistir, aplaudir e, às vezes, colaborar com suas loucas e desvairadas apresentações de poder.

Expansionistas, centralizadores, egocêntricos, chatos e normalmente tirânicos, os que agem como imperadores e reis tentam ser influentes e mostrar exemplos de virtude sem a necessidade de maldades. Raramente conseguem. Boa parte se afoga no próprio pote de mágoas. Conforme os livros de história, na antiguidade apenas Trajano, Marco Aurélio e Augusto (Roma), Shun (China), Jorge 3º. (Inglaterra), Açoca (Índia), Ciro (Pérsia), Luís 9º. (França) e Dom Pedro II (Brasil) foram generosos e benevolentes com o povo. Desses, todos governaram próximos da população. Por isso, aparecem entre os mais amados dos antigos impérios.

Considerando conceitos como livre-arbítrio, moralidade e comportamento, a filosofia revela uma dualidade entre o bem e o mal. Alguns filósofos defendem a tese de que o ser humano nasce essencialmente bom e a sociedade o corrompe com o tempo. Descartando alguns possíveis exageros, os maus de nosso tempo podem não ser tão sanguinários como seus pares de antigamente. No entanto, voluntária ou involuntariamente, serão sempre lembrados por seus “representados” contemporâneos como representantes dos imperadores Calígula, Nero e Cômodo.

Romanos, esses governantes marcaram a história de Roma por perseguições, execuções em massa e atos de tiranias. Guardadas as devidas proporções, qual a diferença entre o trio romano e o quinteto que, entra ano e sai ano, é lembrado no Brasil pela paranoia e autocracia extremas, crueldade de determinados gestos e, principalmente, pela fama de instável mentalmente. Sem muito aprofundamento, basta uma rápida passada d’olhos em algum livro especializado pela chegarmos com facilidade a Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Vladimir Putin, Javier Milei e o nosso Jair Messias Bolsonaro.

Como nenhum deles ainda tocou fogo em seus “impérios”, é desnecessário criar uma ordem de ruindade para citá-los. Todavia, posso garantir que, além de golpismos baratos, os cinco são chegados ao histriônico rouco e ao absolutismo por meio da força, do pânico ou do convencimento de uma eventual e nunca comprovada fragilidade do adversário. Se tivessem seguido Platão, para quem a primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo, os cinco homens de ouro fosco não estariam perdendo tempo discutindo sobre o que um bom homem deve ser ou fazer. Seriam ou fariam. Não são e não fazem porque sequer conseguem a autoconquista.

Como a democracia é imperativa no mundo moderno, o ideal é que os “reis” da atualidade agitassem as águas para atrair os peixes, mantivessem as mãos limpas e soubessem vencer por suas ações e não por argumentos. Como seríamos menos radicais e odiosos se os mandatários usassem a honestidade e a generosidade seletivas para desarmar o opositor. Melhor ainda se pudéssemos convencer governantes a não se intrometerem em governos alheios, instigando perdedores a males que jamais virão para o bem. Convicto da dificuldade de convencê-los de que há pontes que só o carinho e a amizade constroem, por fim vale lembrá-los que, apesar do poder que detêm, os tiranos sempre passam para a história como pessoas odiosas, rancorosas, antipáticas e detestadas. Algumas sequer viram história.

No caso das Américas de nossos dias, há um rei, numerosos súditos atrás da fama e da consagração, mesmo à custa de gestos idiotizados, e um bobo da corte à espera de um milagre. Traduzindo, Donald Trump quer poder total do Norte, do Sul e do Centro. Para isso, com o sujo de seu mestre de cerimônias Marco Rubio, tem tentado convencer seus comandados de que o presidente Lula da Silva precisa ser derrubado e/ou vencido para que Brasil consiga respirar ares menos poluídos. Ocorre que a maioria do povo brasileiro pensa exatamente o contrário. Lula não só despoluiu o país, mas também tirou do poder um tal mito que se achava o rei das cocadas branca e preta. Pelo visto, não será Javier Milei e os queixosos da direita do Paraguai, Colômbia, Peru e Chile que conseguirão mexer os pauzinhos e dar o ponto para o “Cocadinha” se eleger e adoçar a boca do vetusto Trump.

……..

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.