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Dr. Leo

Pastor Belga Laekenois, o cão mais raro e resistente de sua dinastia

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Fotos Divulgação

Forte, ágil e transbordando energia, o Pastor Belga Laekenois é uma verdadeira joia viva do mundo canino. Ele faz parte de um quarteto de raças nativas da Bélgica, dividindo sua linhagem genética direta com os primos Malinois, Groenendael e Tervuren. Embora compartilhe com eles o porte atlético e o temperamento focado, o Laekenois se distancia completamente dos demais ao exibir características únicas de cor, textura e comprimento de pelagem.

Apesar de a sua consolidação moderna ter ocorrido na Europa, a origem remota desse cão é cercada de mistérios e fascinantes lendas históricas. Existem registros arqueológicos que sugerem a presença de ancestrais muito semelhantes a ele há mais de três mil anos, habitando as terras antigas da Mesopotâmia e do Egito. Essa bagagem milenar moldou um animal rústico e perfeitamente adaptado para a sobrevivência em condições adversas.

O capítulo definitivo de sua história começou a ser escrito na capital da Bélgica, Bruxelas, onde a raça foi oficialmente desenvolvida e selecionada. O nome “Laekenois” (cuja pronúncia correta é “Lak-in-wah”) é uma homenagem direta e elegante ao Castelo de Laeken. Essa imponente edificação servia como residência de verão para a rainha Maria Henriqueta da Bélgica, que se encantou pelo porte do animal.

Nos seus primeiros anos de desenvolvimento, antes de ganhar os salões reais, o Laekenois desempenhava funções cruciais na vida rural do país europeu. Além das tarefas tradicionais de pastorear e guiar os rebanhos, esses cães tinham uma missão altamente especializada e curiosa nos campos belgas. Eles eram os responsáveis oficiais por vigiar e proteger os valiosos tecidos de linho recém-colhidos que ficavam estendidos secando ao sol.

Essa rotina de trabalho exigia um animal extremamente focado, de aprendizado rápido e com um entusiasmo incansável para patrulhar grandes áreas. Foi justamente essa combinação de inteligência prática e prontidão que fez com que o Laekenois ganhasse fama rapidamente. Em pouco tempo, criadores de outras nações começaram a notar as habilidades daquele cão de pelo áspero e expressão atenta.

A busca por uma padronização oficial da raça ganhou força em setembro de 1891, com a fundação do renomado Clube do Pastor Belga. O objetivo principal do comitê era investigar detalhadamente os cães nativos do país e definir uma estrutura física e de temperamento consistente. Ficou determinado que o grupo compartilhava o mesmo padrão corporal, mas dividia-se em quatro variedades baseadas na pelagem.

Já no início do século XX, os criadores locais incentivaram o reconhecimento oficial das variedades baseadas em suas regiões de origem. Foi nesse cenário que os exemplares de pelagem áspera e coloração fulva adotaram em definitivo o nome da cidade de Laeken. Das quatro vertentes oficiais de pastores belgas reconhecidas até hoje, o Laekenois se consolidou como a mais incomum de todas.

O que realmente diferencia o Laekenois de seus irmãos de sangue é a textura de sua pelagem rústica e despenteada. Ao contrário dos pelos longos ou curtos e macios dos outros pastores belgas, o pelo do Laekenois é visivelmente duro, seco e levemente encaracolado. Essa armadura natural foi moldada pelo tempo para oferecer máxima resistência contra as chuvas pesadas e o clima frio da Europa.

Visualmente, a raça encanta por sua paleta de cores quentes e naturais, que variam entre tons de trigo, palha, areia e avermelhado envelhecido. Um charme à parte fica por conta das manchas escuras presentes ao redor do focinho e na cauda, que lembram carvão. Essa máscara escura destaca os olhos amendoados da raça, transmitindo uma expressão constante de vigilância.

Infelizmente, a bravura e a utilidade da raça quase custaram a sua total existência durante o século passado. O Laekenois foi amplamente requisitado pelas forças armadas para servir como cão mensageiro na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. Cruzando campos de batalha para entregar comunicados vitais, esses animais sofreram perdas devastadoras devido aos intensos conflitos armados na Europa.

Ao término das guerras, o número de exemplares da raça havia diminuído de forma drástica, deixando o Laekenois à beira da extinção definitiva. Diante desse cenário alarmante, um grupo de criadores dedicados iniciou um trabalho árduo e minucioso de reconstrução da linhagem. O foco era salvar o cão mais raro da Bélgica, preservando sua inteligência, estrutura física e saúde.

Graças a esse esforço histórico, o Pastor Belga Laekenois sobreviveu e hoje é amplamente admirado por seus atributos físicos e intelectuais. Ele mantém viva a sua capacidade ancestral de pastorear rebanhos com maestria, ao mesmo tempo em que se adaptou perfeitamente à vida moderna. Sua facilidade em responder prontamente aos comandos do dono faz dele um aluno brilhante em treinos de obediência.

No convívio diário, o temperamento do Laekenois é descrito por seus tutores como alegre, amigável e profundamente afetuoso com a família. Ele desenvolve uma ligação de lealdade extrema com aqueles que conhece bem, mostrando-se um protetor nato de sua propriedade. Por outro lado, sua herança de cão de guarda faz com que ele seja naturalmente reservado e desconfiado diante de estranhos.

Para os interessados em ter um exemplar, os cuidados diários com a raça exigem atenção à sua natureza ativa de cão de trabalho. O pelo duro e encaracolado não demanda tosas complexas, mas necessita de uma rotina constante de escovação regular e banhos ocasionais. Além disso, por possuir muita energia, o Laekenois precisa de uma carga diária de exercícios físicos e estímulos mentais.

O Pastor Belga Laekenois permanece como o tipo mais raro de sua linhagem no mundo inteiro, com populações restritas até na Bélgica. Conhecer a trajetória deste cão é fazer uma viagem no tempo, valorizando um animal que carrega em seu código genético a elegância da realeza, a resiliência das grandes guerras e a fidelidade típica dos grandes pastores.

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Instagram: @leoobernar

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