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Sessão de terapia

Perfis Comportamentais

Publicado

Autor/Imagem:
Luciana Assunção - Foto Francisco Filipino

Aguardo a sessão de terapia no segundo andar de um prédio com funcionalidades mistas, ou seja, pessoas vivem e trabalham por aqui.

As portas estão fechadas. O corredor não é grande, quase familiar. Os únicos objetos a quebrar a monotonia do espaço são os capachos.

Cada apartamento, cada sala tem a sua cara: a face estampada no tapetinho ao pé da entrada. Um convite, uma recusa? Pelo capacho é possível intuir a personalidade de quem habita ali detrás? O que os objetos que escolhemos falam de e por nós?

Lar doce lar

Um lar, um porto seguro, abrigo onde se reenergiza com cores quentes e alegres. É jovial, otimista. Não abre mão de ficar em casa, arrodeado por memórias e por quinquilharias.

Aldeia global

Inquieto, vive no entre, between. Almeja chegar apenas para poder partir. Na verdade, parte ao entrar pela porta, aporta ao viajar. “Seu lar é onde estão seus sapatos.”

Mas fique pouco tempo

Polido, discreto, convencional. Recebe as visitas com contida simpatia. Não tem muitos amigos, mas ama os amigos que tem. Reservado, aprecia a solidão e as palavras cruzadas.

Tríplice coroa

Divertida e sarcástica, adora um balacobaco. Seu cafofo é descolado, cheira a incenso e também a cigarro. Não tem espaço para acúmulos. Faz dos abacaxis um delicioso bolo de pote.

Burle Max

Aventureira, não dispensa convites para trilhas e cachus. Sempre surrupia uma nova muda de planta, sua casa é um viveiro. Ecologicamente responsável, vegana, milita pela causa animal.

Hello Kitty

Cinéfila, seu canto tem conforto e aconchego. Prefere a iluminação indireta do abajur e edredons (até para que ninguém note as bolinhas de pelo espalhadas pelos cantos). Faz home office porque não curte deixar seu casal de gatos sozinhos. Tímida e terna.

Passista

Precavida, faça chuva ou faça sol. Pessoa de hábitos: todo Carnaval é em Olinda, todo Natal é com a família. Trabalha na área de gestão de riscos ou de engenharia de produção. Casada, não cogita a maternidade.

Persa de araque

Tradição é a sua palavra-chave. Reverencia a solidez, a rotina, a elegância. Austero, prático, metódico. Não perde tempo com objetos sem funcionalidade e melodramas. A casa é seu dormitório.

Viaja muito a trabalho.

Tecelã

Desde a infância aprecia trabalhos manuais. Pinta, faz crochê e tapeçaria. Garimpa em brechós e valoriza os produtores locais. Professora de ioga, seu apê é um universo particular de macramés onde reúne suas alunas para papos astrais.

Doutorando

Definitivamente, não liga para decoração. Sua casa tem o mínimo necessário para a sua subsistência. Só pensa na tese. Aos sábados e domingos se muda para a casa da mãe, onde relaxa com os mimos maternais e traz potes de sorvete com feijão e outros mantimentos para durar até o próximo fim-de-semana. Esquenta o prato no micro-ondas, dorme num colchão jogado no chão frio. Na geladeira, cebolas e alhos rebrotam.

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Conheça o Blog Pisciana de Juba, da escritora Luciana Assunção: https://lulupisces.blogspot.com/

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