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Clube do Dominó

Cinquenta pedras no tabuleiro da vida de Bruno

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

Dia sim e outro também, há um ritual sagrado nas quadras 205 e 206 de Águas Claras. Não importa se a jornada foi longa, se o trânsito travou a cidade ou se o calor resolveu desafiar a paciência. Quando as 28 pedras do dominó encontram a mesa, o tempo passa a obedecer apenas à lógica da amizade.

Mas, nesta terça-feira, 4, as pedras ficaram em silêncio por alguns minutos. Pela primeira vez, ninguém se preocupou em fechar o jogo ou contar pontos. Havia um motivo mais importante. Era noite de apagar as 50 velinhas de Bruno Gliosci.

— Hoje não vale “carroça”, avisou um dos parceiros, segurando o riso.

— Nem “buchuda”, completou outro.

— Hoje só vale parabéns, decretou uma terceira, altiva, enquanto o aniversariante fingia procurar uma pedra que nunca existiu.

Se fosse citar um a um os amigos presentes, faltaria espaço. E amizade verdadeira não cabe em lista; ela se mede pelo sorriso de quem chega, pelo abraço de quem fica e pela certeza de que, nos próximos dias, todos estarão novamente ao redor da mesa.

Bruno merece esse carinho.

Profissional da Tecnologia da Informação, daqueles que parecem conversar com computadores como quem bate papo com velhos conhecidos, ele resolveu dedicar parte da vida a organizar um clube de amigos, algo muito mais complexo do que qualquer sistema informatizado. E conseguiu.

Sob sua presidência, o Clube do Dominó das quadras 205 e 206 deixou de ser apenas um encontro semanal. Tornou-se uma família. Uma confraria que ultrapassou as divisas de Águas Claras e ganhou respeito por onde passa. Não é raro voltar para casa trazendo mais uma taça para a estante.

— Presidente, qual é o segredo para ganhar tantos troféus?, perguntou um novato.

Bruno sorriu.

— Primeiro, escolher bons amigos. Depois… deixar as pedras fazerem o resto.

Todos riram.

Porque ali ninguém acredita que os títulos sejam obra apenas do talento nas mesas. Eles nascem da convivência, da disciplina, das brincadeiras e daquela amizade que transforma qualquer campeonato numa festa, mesmo quando a vitória resolve passar na mesa ao lado.

É claro que um aniversariante tão completo precisava ter algum defeito. E tem. É flamenguista. A revelação provocou uma gargalhada geral.

— Ninguém é perfeito!, disparou um vascaíno.

— Deus escreve certo… mas, de vez em quando, torce para o Flamengo, retrucou um rubro-negro, arrancando ainda mais risadas.

Bruno apenas balançou a cabeça.

— Pelo menos vocês concordam que o defeito é pequeno…

E talvez seja mesmo. Porque, como dizem os parceiros de mesa, Bruno vale em ouro o quanto pesa. Não pelo tamanho físico, mas pelo tamanho do coração. Pela capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de uma paixão comum, onde a rivalidade termina no último “bateu” e a amizade continua até a próxima partida.

Chegar aos 50 anos é como receber uma boa mão de pedras. Algumas vieram perfeitas. Outras exigiram estratégia. Houve momentos de ataque, outros de espera e muitos em que foi preciso confiar na experiência.

Bruno jogou todas elas com elegância.

Que venham muitas outras décadas, novos campeonatos, mais troféus, infinitas noites de conversa e incontáveis partidas interrompidas apenas para celebrar aquilo que realmente importa.

Porque, no grande dominó da vida, há vitórias que não cabem na súmula, mas apenas no coração.

Parabéns, Bruno Gliosci. Que as próximas cinquenta pedras sejam tão generosas quanto as primeiras. E que o presidente continue fazendo aquilo que sabe melhor, que é unir pessoas, multiplicar amizades e provar, sempre que nos reunimos, que o maior prêmio nunca foi a taça, mas a mesa cheia de amigos.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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