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Repetição da barbárie

Polícia prova que idiotas se superam na estupidez

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Em tempos idos, a palavra idiota descrevia quem ignorava a vida em comunidade e pensava apenas em si. Hoje é a mesma coisa, acrescida da falta de inteligência, bom senso, prepotência e arrogância, muita arrogância. No Brasil e no mundo, ninguém nasce idiota, mas, ao longo da existência, muita gente se especializa nisso. Tanto que, conforme textual do dramaturgo Nelson Rodrigues, outrora os melhores pensavam pelos idiotas. Hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Antes que me definam como um deles, não tenho intenção alguma de discorrer sobre idiotices, tampouco me rebaixar ao nível de quem ensina, estimula e ensina a fomentar estultices.

O raivoso preâmbulo ilustra minha reação ao grupo suspeito de integrar uma rede extremista que disseminava conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. Desmantelado nessa terça-feira (4) pela Polícia Civil do DF, o bando pretendia realizar ações violentas em diversas capitais brasileiras, particularmente em Brasília e arredores, durante o período eleitoral. Entre as atividades criminosas da quadrilha, estavam previstas invasão de prédios públicos, atentados contra autoridades, explosões em alvos onde ocorreriam debates eleitorais e tumultos em regiões de alta concentração da capital federal.

A exemplo da barbárie de 8 de janeiro de 2023, os terroristas de agora certamente não planejavam piqueniques na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes ou em qualquer outro local do Distrito Federal. Obviamente que eles também agiam para beneficiar alguém que tem nome, identidade, CPF, endereço, cargo invejado e almejado pelos bárbaros e que até hoje ninguém sabe se ele desperta ódio e amor porque é bom demais ou se porque é ruim de menos.

Pelo sim, pelo não, Luiz Inácio Lula da Silva agradece diariamente aos idiotas, pois, não fosse por eles, talvez não fizesse tanto sucesso. Diante disso tudo, acho que, se existisse a profissão “ser idiota”, muitas personalidades da extrema-direita estariam se matando para alcançar a posição de CEO. Aliás, os que prezam pelo adjetivo bem que poderiam requerer a idiotice como um esporte olímpico. Provavelmente, muitos deles já teriam quebrado recordes em recentes Olimpíadas. As interrompidas ações do grupo de marginais fantasiados de eleitores provam que as pessoas idiotas sempre conseguem se superar na estupidez.

Na ânsia de minar uma candidatura à Presidência, os “espertos” de um extremo político que não admite ser alijado do cenário eleitoral talvez não tenham percebido que atolaram de vez aquela outra candidatura. Um brinde a todos os “espertos” que acham que os que pensam diferente é que são os estúpidos. Uma pena que a estupidez não seja dolorosa. Mais uma vez me utilizando da verve de Nelson Rodrigues, suponho que, no Brasil, “os idiotas ainda conseguirão tomar conta do país. Não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

Como estou cada vez mais convicto de que eleição para Presidência da República não se ganha no grito ou por meio de ameaças rasteiras, surtei e, definitivamente, atirei o pau em dona Chica. Não sei se me entendem, mas dona Chica também tem nome, sobrenome, CPF e dois endereços: um domiciliar e outro nem tanto. Como atingi meu limite de pessoas idiotas, preferi não nominar nenhum deles. Entretanto, penso em comprar um pet e batizá-lo de Idiota. Não para maltratá-lo, é claro, mas para repetir sempre que puder o bordão contra esses tipos: Passa fora.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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