Curta nossa página


Coisa bizarra

Como as pessoas podem idolatrar alguém?

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Costumamos endeusar determinados personagens. Pessoas de carne e osso como nós que, por um motivo ou por outro, concedemos a estes direitos e poderes que estes realmente não têm. Alguém, em algum momento, disse que fulano era um “ungido” pelo Espírito Maior e que por isso recebera a missão de “conduzir seu povo ao caminho da luz”… e mesmo quando este foi tirado do altar onde se encontrava, ainda tem adeptos que alimentam a esperança de, um dia esse ou sua família retornarem ao poder…

É uma coisa bizarra… acreditar que esta ou aquela família tem “direitos divinos” sobre as outras. Não tenho nada contra nem a favor. O que me intriga é o porquê dessa devoção inexplicável que estas pessoas têm por outras. Sim, eu sei… é a “Tradição” exercendo seu papel…

Todo povo precisa de um representante, que o conduza pela senda deste plano. Mas em que momento o Criador determinou que este ou aquele seria seu representante deste lado do Véu? Seria o mesmo que dizer que esta pessoa e sua família são intocáveis, pois ir contra eles seria ir contra a vontade do Divino…

Vivemos em um sistema de castas. Isso é inegável, mesmo que utilizemos outras nomenclaturas para os diversos níveis sociais. Existe uma pirâmide e há mais pretendentes a chegar no topo que espaço que este comporta. Vale tudo para se alcançar tal posição. O principal é ter apoiadores que tentem fazer com que a ideia de um “ungido” dominando uma sociedade não soe como algo esdrúxulo…

Há vários modelos de governança espalhados ao redor do mundo. Alguns, vitalícios. Outros, eternos, sendo que estes passam o poder de um membro para o outro através da família. E a Sociedade os sustenta, pois estes são os “escolhidos”, aqueles que tem a verdade gravada em seu DNA…

Quando um grupo qualquer grita, negando-se a aceitar a “verdade” dos seguidores desse “líder” que na verdade não tem poder algum, exceto aquele que lhe foi outorgado pela sociedade na qual está inserido, é taxado dos mais baixos termos. Bem, não existe um regime perfeito. Mas pelo menos quando há rodizio entre seus dirigentes, existe uma pequena esperança que algum dos escolhidos faça a coisa certa, trabalhando realmente para seu povo…

Se o fulano sabe que a liderança será sua devido a herança de sangue… bem, não se engane. Uma “família real” é tão corrupta quanto os políticos aos quais estamos já acostumados. A diferença é que, uma vez que seu direito não é vitalício, se não fizer um bom serviço enquanto estiver na direção, este será descartado. Um membro de uma “família real” pode fazer e desfazer do poder o que quiser, pois sua “autoridade” está baseada na ideia de que suas ações são determinadas por um Poder Maior…

Temos candidatos a assumir um trono que não existe, de fato, em nossa Constituição. Mas há pessoas que apoiam tal disparate. Tal é que até os dias de hoje, quase cento e quarenta anos desde que a monarquia foi abolida de nosso rincão, os descendentes do último monarca reconhecido ainda ostentam títulos que não dizem nada, mas que alguns ainda reverenciam, como se tal tivesse algum valor…

Não tenho nada contra nem a favor deste ou daquele regime. O importante é que, seja lá quem for que esteja no comando, trabalhe em prol do povo. Mas quem disse que o povo realmente importa para quem está nos degraus mais elevados da pirâmide social? Não importa qual a origem daqueles que almejam o poder, a velha frase “farinha pouca, meu pirão primeiro” continua em vigor…

Enquanto os mandatários tiverem tempo determinado para definir os rumos da sociedade em que vivem temos alguma chance de fazerem algo em prol da grande massa. Se estes forem vitalícios em sua posição…

De qualquer forma, enquanto nos for permitido escolher quem irá nos guiar pelos caminhos da vida, que o façamos com bom senso. Sem favoritismo por esse ou aquele candidato. E se quem for eleito não trabalhar de acordo com o esperado, que usemos nosso direito de tirá-lo de onde o colocamos. Podemos fazer isso. Apenas não sabemos como fazer. Mas quando se deseja construir uma sociedade com direitos iguais para todos, é nossa obrigação conhecer todas as ferramentas que estão à nossa disposição. O que não podemos, de forma alguma, é ver determinadas pessoas como representantes divinas na terra, cuja missão de nos guiar lhes foi outorgada pelo Divino…

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.