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Ciência do amor

A ausência do amor brega

Publicado

Autor/Imagem:
Thalita Delgado - Francisco Filippino

“Mas você tem essas informações de onde?”

Achei petulante essa pergunta enquanto contava sobre o meu novo livro de amor. Ora, bolas, eu lá tenho de ter dados sobre o amor? Me surpreende as pessoas terem transformado tudo em dados, provas concretas, provação… Gente, é sobre amor que eu tô falando… A gente não tem dados de nada, a gente só sente, uai. Que maluquice é essa de achar que eu tenho de provar que há pessoas amando muito ou pouco, ou vivendo muito ou pouco o amor?

Fato é que preciso contextualizar este rolê. Sentada na mesa do bar — seeeeeempre o bar —, eu comecei a dizer que a minha nova escrita são mini crônicas de amor. Mini porque acho que os leitores de hoje precisam de incentivos para descobrir a leitura, então, já que estamos lendo pouco e rápido, mini crônicas são mais fáceis de adesão. Segundo porque falar de amor é falar da vida, não tem como a gente viver sem amor… A pessoa que não ama já morreu por dentro há tempos, e foi justamente aí que a questão toda começou.

Eu disse que, a meu ver, as pessoas andam dizendo muito sobre o que é amar, sobre se permitir os amores, sobre viver momentos, mas que, no fato verídico da coisa, pouco se vive o que fala, porque, quando começamos a ficar vulneráveis ao outro, alguém da relação pula fora… Porque todos queremos viver o amor, mas não queremos nos comprometer com o amor, e há uma enoooooorme diferença sobre isso!

Viver o amor é se permitir pular do abismo sem paraquedas; sentir o amor é ficar em cima do precipício, de mãos dadas, vendo o pôr do sol. Viver o amor é se permitir abrir todas as suas têmporas e entregar ao outro a incerteza se ele vai ficar ou não.

E é aí que eu acho que as pessoas estão bugadas. Se entregar requer uma puta coragem, talvez muitas sessões de terapia e muitas cervejas… É irracional, é apenas viver o momento com o outro, é poder falar sobre o mundo sem ficar racionalizando se o outro vai achar você “emocionado” ou não. É viver.

Por que tá tão difícil as pessoas viverem? Pelo amor de Deus.

Ah, é, mas então, desculpe a revolta, voltemos ao assunto da pergunta…

Depois de falar todas as minhas percepções sobre amor, relacionamentos e abismos, veio a pergunta fatídica:

“Mas você tem essas informações de onde?”

E minha única reação foi ficar olhando e pensando: desde quando os sentimentos pararam de ser entendidos como sentimentos? Sentimento é sentimento, porra!

E eu, que me permito apaixonar a cada esquina, que me jogo de abismos todos os dias, que falo pelos cotovelos e que, às vezes, sim, sinto demais, apenas queria dizer que meu estudo de caso sou eu mesma, com esses amores tortos, sinceros, atrapalhados, de inverno e de verão…

Porque dizem que quem ama demais é porque se ama de menos. Eu discordo. Somos amor porque é isso que temos a doar. Talvez, sim, eu queira ser amada, mas você já experimentou, com toda a sua potência, doar o seu amor a alguém?

Pois bem, escrevo sobre amor porque, sinceramente, o brega bem feito está em falta. E se, no fundo, viver ao invés de raciocinar as coisas seja brega e sinônimo de vida, parabéns pra mim: eu tô vivendo pra muitas vidas.

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Thalita Delgado (@tha_delgado): Jornalista, publicitária e empresária, também se expressa como crocheteira e escritora. Apaixonada por música, livros e pequenas sensibilidades do cotidiano, lançou em 2024 seu primeiro livro, “Sorrindo e Chorando — porque é isso que a gente faz”, pela Editora Autoria.

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