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Sonho vira pesadelo

Bet seca bolso do povo em ‘cassinos full-time’

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Com a promessa de ganhos fáceis e rápidos, as plataformas de apostas estão acabando com as famílias, destruindo o futuro de jovens e tornando dependentes milhões de pessoas ao redor do mundo. É a chamada democratização da destruição. No Brasil, milhares de homens e mulheres, particularmente universitários e jovens em início de carreira apostam motivados pela possibilidade de ganhar dinheiro. Como sempre ocorre, no início ganham. Depois, só perdem. Só as casas de apostas dirigidas pela horrorosa elite brasileira é que vencem.

Como os novos “cassinos” estão nos bolsos da população e funcionam 24 horas por dia, isto é, full-time, o sonho do pobre se transforma em pesadelo da noite para o dia. Nesse período, os ricos ficam ainda mais ricos e dormem sobre colchões inflados de dinheiroi Publicação elaborada pelo Comitê Nacional de Secretário de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros revela em sua última edição que, no ano passado, as apostas online, conhecidas como bets, geraram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras.

A entidade considera saída líquida a diferença entre os que os apostadores “investiram” nas plataformas e o dinheiro que voltou para eles (os apostadores) em forma de prêmios. Na essência técnica e conceitual, as apostas baseadas em eventos futuros ou aleatórios são avaliadas como jogos de azar, pois o resultado depende predominantemente da sorte e do acaso, e não apenas de habilidade. No entanto, o tratamento jurídico e a percepção pública variam dependendo do tipo de atividade e do regulamento vigente.

O Supremo Tribunal Federal decidiu discutir a regulamentação das apostas online e sua proximidade conceitual com as contravenções penais tradicionais de jogos físicos. Esta semana, o ministro Fux manteve a criminalização sobre bingos, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em locais públicos. O julgamento está suspenso por causa de um pedido de vistas do ministro Flávio Dino, cuja intenção é incluir as bets na ação sobre jogos de azar. Atualmente, o Brasil tem 188 bets autorizadas e regulamentadas pela Lei 14.790/2023.

De origem grega, a Betano é uma das maiores e a mais popular do setor esportivo nacional, notadamente o futebol. Sério e devastador para as famílias, o problema continua crescendo e de forma silenciosa. Ao contrário da enxurrada de propaganda de casas de apostas durante uma transmissão esportiva, conhecer e entender de futebol não é suficiente para ganhar, mas é bastante para transformar entretenimento em suposta solução para problemas financeiros. Conforme especialistas em mente humana, é aí que começa o risco da dependência.

De acordo com levantamentos oficiais, no perfil dos jogadores a prevalência é para o público com renda mais baixa, no máximo de R$ 5 mil mensais. Quanto mais alto o rendimento, menor o número de apostadores. E o que fazer diante de mais uma tragédia humana estimulada por aqueles que só pensam no protagonismo eleitoral. O mundo está acabando. O Brasil está sob escombros produzidos pela política dos que só pensam no próprio umbigo. Cadê o saber e o fazer desse povo que vota por benesses e vantagens e, mesmo assim, se acha preparado para alcançar o Primeiro Mundo?

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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