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Namoro reatado

Político oportunista sabe seguir direção do vento

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Definitivamente, a política brasileira deixou de ser a arte do possível para se consolidar como o clássico sistema do toma lá, dá cá. Por razões que a própria razão desconhece, o presidente do Senado e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil- AP) anunciou publicamente que estava de mal com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Coisa de menino mimado? Não! Coisa de macaco velho e que sabe quando se fingir de morto e quando é hora de novamente correr atrás do pote abarrotado de dindin.

Pois bem, depois de alguns meses de rusgas públicas, os dois voltaram a se encontrar no início desta semana. O cupido foi o ministro do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes. Segredo de Estado, o teor do encontro só é de conhecimento dos três e do também ministro do STF Cristiano Zanin, convidado de Moraes para o convescote de retorno do namoro. Extraoficialmente, a conversa girou em torno das mágoas do passado, entre elas o trabalho de bastidor de Alcolumbre para rejeitar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias para a Corte Suprema.

Como na política ninguém é de ferro ou dá ponto sem nó, o jogo parece que volta a ser jogado de onde parou, isto é, desde a interrupção temporária da pausa para hidratação. Ou seja, após as convenções partidárias, a consolidação de Lula como o candidato a ser batido, o esfacelamento da direita, a óbvia decadência do bolsonarismo e da extrema-direita e as tentativas de Trump de se intrometer na política brasileira, nada de novo no Quartel de Abranches.

Tudo em nome da defesa da democracia e da construção de um Brasil mais desenvolvido e menos desigual. Um país cresce quando as instituições trabalham em harmonia. Estas certamente serão as frases que os dois presidentes voltarão a pronunciar no mesmo palanque na noite de 3 de outubro próximo, provavelmente com Lula da Silva eleito para seu quarto mandato presidencial. Não duvido que, na penumbra, Alcolumbre, em um novo embargo auricular, repita que “Nenhum senador tem direito de atrapalhar a agenda do governo”.

Sábias palavras de quem sabe o que diz, o que faz e o que ganhar com o Lula 4. Se fosse escrever um artigo sobre reflexão social, diria que o “reencontro” não passa de política de ocasião, que é guiada pela conveniência do momento, sem firmes convicções ou ideologia fixa. Didaticamente, é o oportunismo disfarçado de estratégia. Está escrito na Bíblia eleitoral que o político de ocasião não segue princípios, mas acompanha de perto todas as pesquisas de intenção de votos. As últimas mostram que Lula é o cara.

Como não tenho vocação para pensador, prefiro dizer que o “namorico” também é conhecido como a arte de mudar de ideia quando o vento claramente se anuncia em nova direção. É a conveniência tendo mais peso do que a coerência. Como escreveu o dramaturgo Nelson Rodrigues, “Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. Portanto, que se odeiem publicamente, mas que, entre as paredes dos gabinetes, que pensem no dever de casa, hoje restrito à necessidade de uma história nova. A velha precisa ser esquecida.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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