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Super-heróis sem capa

Pai é quem acolhe e inspira a presença

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Inspirado pela comemoração norte-americana, o publicitário Sylvio Bhering propôs, em 1953, a celebração do Dia dos Pais no Brasil, hoje muito além de apenas uma data excepcionalmente generosa para o comércio nacional. Mais do que uma reunião de família em torno da figura paterna, a ocasião é uma oportunidade única para expressarmos sentimentos profundos com termos que tocam o coração. Um gesto simples, como uma frase sincera, pode emocionar, fortalecer laços e eternizar memórias. Como filho, não tive oportunidade e nem tempo para transformar este dia em uma lembrança inesquecível.

Apesar disso, feliz Dia dos Pais a todos os pais do mundo. Os dias e as noites me mostraram a essencialidade de um pai capaz de nos ensinar que amar é cuidar, respeitar e, sobretudo, estar presente. É isso que denomino de poder transformador. Como pai e, agora, avô, posso não ser uma obra-prima da natureza, tampouco uma referência de força, amor e dedicação. Entretanto, agradeço a Deus por cada sacrifício feito em silêncio, por cada gesto de amor e por cada palavra dirigida, afetiva ou grosseiramente, às minhas três filhas e aos meus dois netos, os melhores presentes que a vida já me deu.

Com o apoio deles, o orvalho fez meus cabelos grisalhos, mas, com a mesma força, me deu coragem para permanecer jovem e, na medida de minha eterna juventude, vencer meus medos, inspirar meus tesouros e entregá-las um mundo sem mentiras, menos cruel e verdadeiramente familiar. Quando a vida me permitiu ser pai, as páginas do destino se abriram com novas cores e significados. Que sorte a minha ter conseguido ser um herói que veste roupa comum e que atende pelo nome de pai.

Confesso que, às vezes, me acho um super-herói sem capa. Viro criança, mas não voo, não escalo paredes e não tenho superpoderes. O que tenho de sobra é gratidão e uma paixão inquestionavelmente sólida pelas minhas joias raras. O que dizer mais neste dia sagrado para aqueles que, com todas as imperfeições humanas, foram chamados para liderar, instruir, amar, proteger e interceder com seriedade e fé. Pouco importa se produzi ou não. Importante é que, no dicionário divino, está escrito que pai é quem explica aos filhos que o amor se revela nos gestos mais simples, algo como a presença que acolhe e o exemplo que inspira.

Em meio às incertezas da existência, que bom ser o porto seguro, a direção, a confiança e a luz que não tive, mas que mantive (e mantenho) acesa até que voltemos a nos encontrar. São os ensinamentos de Deus, a Quem agradeço por nunca ter desistido de mim. Sobre ser pai, nada melhor do que a certeza do real valor da família. Com relação às filhas, há memórias que o tempo não apaga, como a aflição da espera, as dores divididas, os sorrisos compartilhados e as lembranças que esse mesmo tempo consolidou como legado.

Como pai bravo, quieto, simplório, amoroso e, principalmente, presente, garanto que o melhor de mim tem muito de minhas quatro paixões, incluindo, é claro, a dona do lar. Que neste Dia dos Pais, cada um dos que espalharam uma ou mais sementinhas que um dia também serão pais (ou mães) saibam que ser pai é se multiplicar em muitos, é sinônimo de pilar da criação, é amar antes de conhecer e sem medidas. Pai, carregar e replicar seu sobrenome é um orgulho que dispensa explicação. Você não foi perfeito, mas foi real. E realidade foi tudo que eu precisei para ser o pai que sou. Onde estiver, Feliz dos Pais.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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