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O mais árduo

A difícil arte de se reconstruir

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

A coisa mais difícil que você fará na vida é se reconstruir.

E não falo de juntar pedaços.

Não falo de costurar aquilo que um dia se rompeu, tentando devolver ao corpo a mesma forma de antes.

Falo de se reconstruir por inteiro.

Quando a alma se rasga diante de um perdão inesperado.

Quando chega um diagnóstico e, de repente, todos aqueles planos cuidadosamente escritos no papel parecem precisar de novas linhas.

Quando o seu pedido de desculpas não é aceito e você percebe que, talvez, não exista mais uma solução possível.

Você vai sentir.

Você vai chorar.

Você vai acreditar que chegou ao fim.

E talvez chegue mesmo.

Mas há algo inexplicável no resgate de si mesma.

É quente.

É suave.

É uma mistura de egos, lembranças e silêncios que passam diante dos olhos como filmes antigos. São cenas que a memória insiste em guardar, mesmo quando o coração já não sabe onde colocá-las.

Ah, se todas as minhas lágrimas pudessem se transformar em verbos…

Talvez elas contassem tudo o que sinto.

Tudo o que vivi.

Tudo o que suportei.

Tudo aquilo que precisei liberar para conseguir respirar novamente.

Choro sozinha.

Não porque esteja perdida, mas porque existe uma liberdade imensa em perceber que algumas pendências foram finalmente encerradas.

Eu fiz o que estava ao meu alcance.

Pedi perdão.

Perdoei.

Soltei.

Deixei ir.

E agora, diante do silêncio que ficou, compreendo que a reconstrução só depende de mim.

Não sei como será.

Não sei quantas vezes ainda precisarei juntar forças.

Mas sei que posso começar.

A qualquer hora.

Em qualquer lugar.

Quantas vezes forem necessárias.

Porque, às vezes, reconstruir não significa voltar a ser quem éramos.

Significa descobrir, depois de tudo, quem somos capazes de ser.

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