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Zoológico de Brasília

A incrível jornada do rinoceronte Thor

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Texto e Foto

O Zoológico de Brasília abriga um dos maiores símbolos de reabilitação animal do país: o rinoceronte Thor. O imponente animal chegou à capital federal no ano de 2008, após uma complexa operação de resgate liderada pelo Ibama. A transferência ocorreu por determinação judicial, retirando o mamífero de um circo onde era submetido a severos maus-tratos.

A chegada de Thor ao novo lar foi marcada pela comoção da equipe técnica devido ao seu estado crítico. O rinoceronte apresentava magreza severa e múltiplos problemas de saúde decorrentes da negligência que sofria nas mãos dos antigos tutores. Entre as principais complicações físicas, uma forma crônica de conjuntivite acometia gravemente um de seus olhos, demandando cuidados urgentes.

Atualmente, a realidade do animal é completamente diferente daquela vivida no ambiente circense. Thor habita um recinto especialmente projetado de 3,5 mil metros quadrados, equipado com jardim, solário e um indispensável tanque de lama. Esse espaço amplo simula os bosques, pântanos e savanas secas do sul da África, habitats naturais originais de sua espécie.

Para manter a saúde do gigante em dia, os biólogos e veterinários realizam treinos diários de condicionamento voluntário. Essas atividades evitam o estresse de exames invasivos, permitindo que o próprio animal colabore com a limpeza dos olhos e procedimentos médicos. Graças a essa dedicação diária, o rinoceronte tornou-se um verdadeiro ícone de superação e resistência dentro do parque.

Thor pertence à subespécie rinoceronte-branco-do-sul (Ceratotherium simum simum), o segundo maior mamífero terrestre do planeta, superado apenas pelos elefantes. Um macho adulto dessa espécie herbívora pode medir até 4 metros de comprimento e pesar impressionantes 3,6 toneladas. Sua pele espessa varia de tons acinzentados a amarronzados, com dois característicos chifres localizados próximos às narinas.

Apesar do nome popular, a cor desses animais não é branca, fruto de uma histórica confusão linguística de colonos britânicos. Ao ouvirem exploradores holandeses chamarem o animal de “wijd” (que significa largo, em referência aos lábios adaptados para pastar), os ingleses entenderam “white” (branco). O nome acabou se perpetuando mundialmente, embora a coloração real seja cinza.

Na natureza, a reprodução desses gigantes é um processo lento, com uma gestação que dura longos 530 dias e resulta no nascimento de apenas um filhote. O status de conservação da espécie é classificado como “Quase Ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Em cativeiro, a expectativa de vida desses animais gira em torno dos 30 anos de idade.

A principal ameaça à sobrevivência dos rinocerontes na África e na Ásia continua sendo a caça ilegal predatória. Os criminosos buscam abastecer o mercado da medicina tradicional chinesa com seus chifres. No entanto, cientistas alertam que o chifre é composto puramente por queratina — mesma substância das unhas humanas — sem qualquer poder curativo comprovado.

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