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Capitania hereditária

Mentir, trair, coçar e soluçar, é só começar

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Inferno zodiacal para todos os candidatos a cargos eletivos, a véspera da eleição é o período em que os políticos mais mentem. E mentem até dormindo. Divulgar informações incorretas, imprecisas, inverídicas ou exageradas são peças comuns nos discursos de todos os que pretendem chegar ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e aos parlamentos estaduais. O problema são as falsas promessas espalhadas pelo vento e, agora, em profusão pelas redes sociais. Elas costumam ser aceitas como normais quando anunciadas por candidatos.

Vira anormal no caso de eles serem eleitos para ocupar um cargo público. Aí a lei caracteriza as distorções da realidade como crime. Não é exagero algum afirmar que a mentira é inerente a políticos de esquerda, de direita e de centro. Preocupantes são os da extrema-direita, segmento composto majoritariamente por discípulos e seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme relatório de agências de checagem de fatos, o patriarca do clã é o maior mentiroso da história brasileira. Embora não sejam novos, os dados são reveladores.

Mais do que isso. Eles são assustadores. De acordo com o documento, como mandatário, Bolsonaro chegou a divulgar 6,9 declarações falsas ou distorcidas em 2021. Boa parte das mentiras e das meias-verdades foram sobre Covid-19. O total do ano chegou a 1.278 inverdades. Em 2022, ano eleitoral, o caldo de mentiras foi engrossado com informações erradas sobre o andamento da economia, a redução das queimadas na Amazônia, a geração de empregos e, principalmente, a respeito da fragilidade das urnas eletrônicas.

Segundo as agências Aos Fatos e Lupa, até perder o Palácio do Planalto para Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2022, o candidato derrotado proferiu 1.692 inverdades. A maior verdade do período foram as 750 mil mortes decorrentes da Covid. Não por acaso, as mentiras viraram marca registrada do ex-presidente e, por extensão, de toda a família. Como quem faz um cesto, faz cem, até hoje alguns brasileiros têm dúvida acerca da motivação da facada sofrida por Bolsonaro em 2018.

Ninguém questiona o fato. A dúvida, provavelmente, o inimputável Adélio Bispo de Oliveira levará para o túmulo: a pedido de quem ele agiu? Como a origem da mentira está na imagem idealizada que a pessoa tem de si mesma, a qual ela deseja impor aos outros, qualquer verdade dita por alguém do clã ainda hoje soa como algo questionável. Como pregou o político, escritor e filósofo romano Marco Túlio Cícero, “Ninguém acredita em um mentiroso, mesmo quando ele diz a verdade”. São os casos do cidadão que se autoproclamou mito e do filho 01, aquele que se autointitula amigo de Donald Trump.

O ato de mentir não deve ser considerado um traço genético direto, tampouco uma herança biológica dos genes dos pais. Ou seja, não é um código gravado no DNA dos filhos. Entretanto, mentir é um comportamento aprendido e influenciado pelo ambiente social, pela convivência familiar e por necessidades emocionais. Criado e modelado na forma de lidar com erros e verdades, o presidenciável Flávio Bolsonaro é, portanto, produto do meio. Além do pai mitomaníaco, no partido de Valdemar Costa Neto todos mentem brincando, sobretudo o próprio. Como mentir, trair e coçar é só começar, entre e um outro soluço, nada melhor do que esquecer a coceira da verdade e mentir, trair, mentir, trair novamente e, no fim, não se eleger. Até outubro.

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