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Kiko usa velhas vendas

Depois da tela da Band, o virtual do Correio

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Reprodução/CB

A corrida pelo Palácio do Buriti ganhou contornos mais nítidos na terça-feira (11), quando os candidatos ao Governo do Distrito Federal passaram pela tradicional sabatina promovida pelo Correio Braziliense. Mais do que apresentar promessas para saúde, educação, segurança e transporte, os principais concorrentes aproveitaram o palco para demarcar território político e mostrar ao eleitor qual será o discurso predominante até as urnas de outubro.

Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) deixaram claras suas diferenças. O BRB apareceu ora como problema a ser resolvido, ora como símbolo dos erros da administração pública e, sobretudo entre os adversários da atual governadora, como munição para questionar o modelo político que comandou o Distrito Federal nos últimos anos.

Candidata à reeleição, Celina Leão assumiu a posição mais delicada. Precisou defender realizações do governo do qual participou, mas também estabelecer uma linha divisória entre sua administração e os problemas recebidos quando assumiu definitivamente o Palácio do Buriti.

A governadora reconheceu avanços anteriores, mas fez críticas à situação encontrada no governo. Na segurança pública, destacou investimentos tecnológicos e políticas de monitoramento. Também defendeu medidas adotadas para a população em situação de rua, inclusive a internação involuntária nos casos previstos pela política implementada pelo governo.

No campo econômico, Celina procurou transmitir a mensagem de que pretende enfrentar tanto o desequilíbrio fiscal quanto a crise do BRB sem transferir irresponsavelmente os custos para a população.

A estratégia política ficou evidente, no sentido de preservar aquilo que considera legado positivo, mas deixar claro que, agora candidata a um mandato próprio, pretende imprimir sua própria marca à administração.

José Roberto Arruda seguiu caminho diferente. O candidato do PSD transformou a experiência anterior no Buriti no principal argumento para justificar seu retorno à disputa.

Arruda descreveu o quadro atual como de “desgoverno e bagunça” e afirmou que voltou à vida pública porque vê deterioração principalmente na saúde e na segurança. Segundo ele, parcela expressiva da população que depende exclusivamente do sistema público enfrenta dificuldades nas filas dos hospitais.

O ex-governador prometeu reduzir indicações políticas na máquina administrativa para abrir espaço à contratação de médicos e professores.

Na segurança e na ocupação urbana, adotou discurso duro. Disse que pretende retirar invasões de áreas públicas logo no início de um eventual governo e defendeu mudanças na localização de estruturas destinadas ao atendimento da população em situação de rua.

Kiko Caputo procurou ocupar o espaço da renovação administrativa. O candidato do Novo defendeu um “choque de gestão”, mas afirmou que a transformação precisa começar por aquilo que classificou como “choque de honestidade”.

O advogado colocou combate à corrupção, eficiência administrativa e valorização dos servidores no centro de sua proposta.

Caputo também procurou afastar comparações entre sua trajetória e a do ex-governador Ibaneis Rocha, apesar de ambos terem origem profissional na advocacia e passagem pela Ordem dos Advogados do Brasil. Disse que os dois são politicamente “completamente opostos”.

Na discussão sobre empresas públicas, adotou posição coerente com a orientação liberal do Novo: privatizações não devem ser tratadas como tabu. Para Caputo, o critério deve ser a eficiência e a capacidade de cada empresa de cumprir sua função. Segundo ele, vender empresas públicas pode ser um bom negócio para o governo. Não deixou claro, porém, qual seria a reação do povo.

Paula Belmonte apresentou transparência, educação e saúde como pilares de um eventual governo tucano. A candidata prometeu utilizar tecnologia para digitalizar a administração pública e ampliar os mecanismos de controle.

Uma das propostas é instalar, já no primeiro dia de governo, uma estrutura específica de combate à corrupção. Na saúde, Paula descreveu situação crítica nos hospitais e defendeu reforço de recursos humanos, atenção primária e unidades especializadas de retaguarda, cuidados paliativos e atendimento à população idosa.

Foi também incisiva ao tratar do BRB. Paula criticou a estratégia de expansão nacional da instituição e defendeu que o banco volte a concentrar esforços no Distrito Federal.

A tucana propõe fechar agências fora de Brasília e direcionar crédito e serviços para pequenos comerciantes, empreendedores e jovens que buscam o primeiro emprego. Lembrou ainda que esteve entre os parlamentares contrários à operação envolvendo o Banco Master e criticou a atuação da Câmara Legislativa durante o episódio.

Grass aposta em planejamento e valorização do serviço público. Sua plataforma é voltada à modernização administrativa, educação, cultura e desenvolvimento econômico.

O candidato do PT afirmou que Brasília carece de um projeto de futuro e prometeu formar uma equipe técnica, com planejamento e responsabilidade fiscal. Uma das propostas é solucionar o impasse jurídico e financeiro envolvendo o Centrad, em Taguatinga, transferindo órgãos públicos para o complexo e reduzindo despesas do governo com aluguéis.

Professor de formação, Grass deu atenção especial à educação. Defendeu valorização dos profissionais, expansão da rede escolar e ampliação do ensino em tempo integral, incorporando arte, ciência, tecnologia e profissionalização.

Politicamente, Grass ainda aproveitou a sabatina para tratar das dificuldades de composição no campo de centro-esquerda, num momento em que PT e PSB disputam espaço e protagonismo na corrida pelo Buriti.

Ricardo Cappelli procurou imprimir à sua candidatura um perfil executivo e de enfrentamento dos problemas da máquina pública.

O candidato do PSB defendeu um “choque de ordem na gestão” e concentrou parte de suas críticas na saúde e na educação. Na saúde, classificou a situação como calamitosa e apresentou a proposta de um programa de “Fila Zero”. Na educação, prometeu elevar gradualmente a remuneração dos professores do Distrito Federal ao maior patamar entre as unidades da Federação.

Cappelli também criticou a elevada presença de professores temporários e defendeu novos concursos públicos para recompor o quadro permanente da Secretaria de Educação.

Se saúde, educação e segurança continuam sendo assuntos obrigatórios em qualquer eleição local, a sabatina mostrou que 2026 acrescentou um quarto eixo à disputa pelo Buriti: o futuro do BRB.

Arruda fala em salvar um banco, Paula quer devolvê-lo à sua vocação regional, Cappelli rejeita transferir a conta para a população, Grass exige auditoria e transparência. Caputo coloca a crise dentro de sua defesa de eficiência e responsabilidade administrativa, e Celina, por sua vez, carrega o desafio de demonstrar que seu governo possui condições políticas e financeiras de conduzir a instituição para fora da turbulência.

A diferença é que Celina fala do lugar de quem governa. Os outros cinco falam do lugar de quem pretende governar. Essa talvez tenha sido a principal fotografia política deixada pela sabatina. A leitura é de que enquanto a governadora precisa convencer o eleitor de que consegue corrigir os problemas sem romper com tudo aquilo de que participou, seus adversários disputam entre si quem representa de maneira mais convincente a mudança.

Até outubro, portanto, a eleição brasiliense tende a ser travada em duas frentes. De um lado, o julgamento sobre o governo que está no Buriti. Do outro, uma competição entre cinco candidaturas relevantes para saber qual delas conseguirá transformar insatisfação em alternativa eleitoral.

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