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O chororô da potência

Por que os EUA sentem tanta necessidade de dizer que mandam?

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@donairene13 - Divulgação

Nesta semana, o Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo em defesa da Doutrina Monroe e afirmou que o domínio norte-americano nas Américas “nunca mais será questionado”. A declaração resgata uma visão de quase dois séculos atrás, segundo a qual Washington considera o continente uma área privilegiada de sua influência. O discurso também aparece em um momento de maior aproximação do governo Trump com lideranças da direita latino-americana.

Mas existe algo curioso nessa necessidade de reafirmar, o tempo inteiro, quem manda e quem tem poder. Quem realmente exerce uma liderança incontestável normalmente não precisa anunciá-la aos quatro ventos. A declaração dos EUA parece muito mais uma reação às mudanças que estão acontecendo no mundo, com o crescimento da China, o fortalecimento de outras potências e uma ordem internacional cada vez mais multipolar.

Por isso, a declaração norte-americana soa menos como demonstração de força e mais como o chororô de quem percebe que está perdendo espaço e não aceita essa realidade. Os Estados Unidos continuam sendo uma enorme potência econômica, política e militar, mas sua hegemonia já não é tão absoluta quanto foi no passado. E talvez seja justamente por perceberem isso que alguns integrantes do governo Trump sintam tanta necessidade de repetir que ainda são eles que mandam.

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