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Resiliência

Continuar também é uma forma de coragem

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Há uma ideia romântica de coragem.

Grandes decisões.

Grandes discursos.

Grandes recomeços.

Mas quase ninguém fala da coragem silenciosa de simplesmente continuar.

Levantar.

Tomar banho.

Trabalhar.

Responder mensagens.

Fazer comida.

Pagar uma conta.

Cuidar de alguém.

Voltar para casa.

Dormir.

E repetir.

Durkheim talvez dissesse que a vida cotidiana é sustentada por uma enorme quantidade de práticas sociais que raramente percebemos.

Eu acrescentaria: algumas dessas práticas exigem uma força que ninguém vê.

Há pessoas reconstruindo a própria vida enquanto parecem apenas “seguindo normalmente”.

Há quem esteja começando de novo sem anunciar.

Quem esteja aprendendo a viver depois de uma perda.

Quem esteja tentando acreditar novamente.

Quem esteja apenas tentando chegar ao fim da semana.

E talvez seja por isso que devêssemos ter mais cuidado com os julgamentos.

Nunca sabemos quanto esforço existe por trás de uma rotina aparentemente banal.

A sociedade costuma celebrar quem chega.

Pouco fala de quem precisou caminhar quilômetros para chegar.

Pouco fala de quem caiu.

Menos ainda de quem levantou sem plateia.

Talvez continuar não seja pouco.

Talvez seja uma das formas mais silenciosas de resistência.

Porque, às vezes, não existe grande discurso.

Existe apenas alguém dizendo para si mesmo:

“Hoje eu vou novamente.”

E vai.

Não porque tenha todas as respostas.

Mas porque, apesar de tudo, a vida ainda está acontecendo.

E enquanto ela estiver, talvez continuar seja uma maneira muito digna de dizer: ainda não terminei.

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