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Voo da tucana

Reguffe sai da urna em 2026, mas permanece no jogo político com Paula

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto de Arquivo

Quem transita por corredores de Casas legislativas descobre com o tempo que política também é feita de saber esperar. E Antônio Reguffe parece ter escolhido justamente o tempo como seu principal aliado. Aos 53 anos, o ex-senador decidiu que não disputará nenhum cargo eletivo nas eleições de outubro. Convalescendo de antigos problemas de saúde – embora hoje em plena recuperação -, Reguffe concluiu que não há razão para antecipar uma batalha eleitoral quando ainda enxerga diante de si uma longa estrada na vida pública.

Não significa aposentadoria, claro, muito menos despedida, mas simplesmente um intervalo, como ele afirmou em conversa com Notibras. Reguffe permitiu-se tão-somente um intervalo depois de uma trajetória que o levou, em sequência, à Câmara Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Hoje ele prefere atravessar 2026 fora das urnas, preservando para 2030 a possibilidade de disputar o cargo que considerar mais adequado às circunstâncias políticas e, sobretudo, aos interesses da sociedade brasiliense.

É uma decisão que combina com uma característica que marcou a carreira de Reguffe, que sempre procurou cultivar uma imagem política própria. Foi assim que ele construiu capital eleitoral defendendo austeridade no uso do dinheiro público, redução de benefícios parlamentares e independência em relação às estruturas tradicionais dos partidos. Essa postura ajudou a consolidar entre seus eleitores uma reputação de integridade e transformou seu nome em patrimônio eleitoral difícil de ignorar no Distrito Federal.

Sua ascensão foi rápida e, em mais quatro anos, voltará à estrada que ele bem conhece, onde deixou um legado como deputado distrital, depois deputado federal e finalmente senador da República. Uma carreira meteórica, construída sobretudo em torno do próprio nome e de uma relação direta com o eleitorado brasiliense.

Agora, porém, Reguffe fará política sem pedir votos para si. Mas, embora não seja candidato, o ex-senador não pretende assistir à sucessão do Palácio do Buriti da arquibancada. Sua posição política estará ao lado de Paula Belmonte (PSDB), que disputa o Governo do Distrito Federal. A escolha ganha contornos ainda mais interessantes porque ocorre em meio a uma movimentação partidária de última hora. O Solidariedade, legenda de Reguffe, manifestou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP). O ex-senador, contudo, seguirá outro rumo.

A decisão de fazer campanha para Paula Belmonte, reforça uma marca de sua trajetória, recheada com a disposição de manter posições próprias mesmo quando elas não coincidem integralmente com as orientações partidárias. Assim, surge uma situação peculiar no tabuleiro eleitoral brasiliense. O Solidariedade caminha institucionalmente com Celina, enquanto uma de suas figuras políticas mais conhecidas no Distrito Federal estará politicamente pronta para ajudar a tucana a alçar o voo em direção ao Buriti.

“Não serei candidato”, disse na conversa com Notibras. Mas nunca será um personagem irrelevante. O apoio de Reguffe pode representar para Paula mais do que uma fotografia de campanha. O ex-senador conserva uma parcela de eleitorado identificada com discursos de fiscalização dos gastos públicos, independência política e rejeição aos privilégios associados à atividade parlamentar. É justamente nesse terreno que sua presença pode adquirir peso simbólico durante a campanha.

Reguffe parece ter feito uma escolha diferente daquela normalmente imposta pelo calendário eleitoral. Em vez de disputar simplesmente porque existe uma eleição disponível, resolveu preservar seu nome. Assim, fica com um olho em 2026 e outro em 2030. Porque em política, quatro anos podem representar uma eternidade, como também podem passar num piscar de olhos.

Quando chegar 2030, Reguffe terá 57 anos, idade que ainda lhe permitirá escolher entre diferentes caminhos para uma eventual volta às urnas. Até lá, poderá observar como se reorganizarão as forças políticas do Distrito Federal depois da eleição deste ano. Há, portanto, uma diferença importante entre abandonar a política e não disputar uma eleição. Por isso ele escolheu a segunda alternativa.

Quem conhece Reguffe, sabe que ele não precisa provar que consegue chegar às urnas com competitividade. Seu desafio agora é conservar o patrimônio político construído ao longo dos anos e descobrir em que momento será mais útil colocá-lo novamente à prova. Se estará fora da da cédula eletrônica, com certeza será personagem forte da campanha. Seu apoio a Paula é visto como uma espécie de silêncio com endereço político que produzirá muito barulho. Mesmo não concorrendo em outubro próximo, ele garante que não fechou a porta para Brasília. Apenas deixou a de 2030 entreaberta.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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