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Toc-toc

Sempre mais

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Edgar Allan Poe, desculpe qualquer coisa…

Era meia-noite, a hora

em que bebê de colo chora,

quando ouvi um toc-toc na janela.

Não caí na esparrela

de pensar em fantasma;

pensei no corvo

do poema de Poe,

que já saiu do ovo

falando Nunca mais

e nada mais.

Abri a janela e falei,

— E então, rapaz,

veio me visitar

e falar Nunca mais?

Mó burrada. Não era corvo,

bichinho bonito,

e sim um enorme urubu,

com uma camiseta onde estava escrito

Mengão I love you.

— Tá me tirando, maluco?

Quer uma bicada, uma bicuda?

Se eu baixar a porrada

vai ser um deus nos acuda.

Expliquei o “Nunca mais” do poema

— E o urubu falou, alisando as penas:

Nunca mais? Babaquice!

Eu acho é pouco.

Quero sempre mais. Cariocões,

Brasileirões, Libertadores,

o que vier eu traço,

Que o Flamengo é um timaço

destinado à glória eterna.

Reine a ordem ou a baderna,

vamos em frente, que atrás vem gente.

— Então por que a visita

De uma ave tão bonita?

— Vim pedir emprestado

um pouco de milho mofado

pra uma digestão apressada

que se transforme em cagada

sobre esse povo mofino,

vascaíno e palestrino.

E explicou como fazia

com os anões da colina

e com a porcada do Abel:

— Com um vascaíno é maneiro,

se esquiva o dia inteiro

mas eu acabo acertando.

Já com os suínos é covardia,

eu os vejo guinchando ao léu

e ataco, alvo bem fácil:

porco não olha pro céu.

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