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Argumento desconexo

Napoleão previu direita cavando própria cova

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Atribuída a Napoleão Bonaparte, a frase que os três candidatos contrários ao bolsonarismo não se cansam de pronunciar continua atualíssima, apesar de ter sido cunhada há pelo menos um século e meio. Duvido que alguém com um mínimo de inteligência não consiga imaginar de quem Napoleão lembrou ao imortalizar a expressão “Jamais interrompa seu adversário quando ele estiver cometendo um erro”. No mundo, a oração pode ter variados contextos. O principal deles é a previsão napoleônica de alguém cavar a própria cova.

No Brasil de 2026, há somente um. Inquestionavelmente, a locução é dirigida ao candidato do extremismo e, gramaticalmente, significa “se lasque sozinho”. É claro que Napoleão tem tudo a ver com a candidatura daquele moço que, além de mentir, estimular divisões e elaborar golpes de Estado, não sabe o que um presidente da República faz. Mesmo assim, certamente ele terá muitos votos, todos creditados àqueles que não estão nem aí para o Brasil e, por isso, não cobram ações de seu presidenciável preferido.

Entre desanimado, preocupado e cauteloso com o Brasil depois de 2030, isto é, após o Lula 4, sinceramente temo pelo que os games eleitores serão capazes de produzir de ruim para quem sobreviver. Por enquanto, a mesmice impera no cenário político nacional. As famílias que entram e saem do Congresso Nacional e dos parlamentos estaduais são as de sempre. Além da falta de renovação, os mentirosos, negacionistas e usurpadores continuam fazendo escola.

Torcendo contra o continuísmo, avalio positivamente a possibilidade nada remota de exclusão definitiva do principal clã da mentira e dos absurdos do negativismo. É o que antecipa a movimentação dos partidos que já foram aliados da família na disputa presidencial. Cansadas do papel de coadjuvantes do bolsonaristas, as legendas de direita tentam apostar em uma terceira via e, caso não cresçam, podem fechar com o candidato da esquerda, notoriamente dono de uma massa de votos suficientes para ganhar a eleição.

Voltando à frase napoleônica, trágico não fosse cômico é o anúncio de que o presidenciável do PL de Valdemar Costa Neto fará a campanha inteira usando colete à prova de balas. O desconexo argumento dos principais líderes do PL são as ameaças que o candidato da extrema-direita vem sofrendo. Curiosa e inadequada, mas defensável sob o ponto das desculpas, a argumentação das lideranças vai de encontro ao amontoado de ameaças feitas pelo correligionário e seguidores ao adversário progressista.

E foram muitas. Tantas que as prisões estão cheias deles. Como pimenta no fiofó dos outros é refresco, deixar o candidato do faz de conta se queimar na própria fogueira é o caminho a ser seguido. Do tipo político que promete construir pontes onde não existe rio, o candidato errante não se cansa das mentiras, a única ferramenta que não gasta e que ele vem reciclando desde 2018. Daquele que só se lembra do povo quando o voto pede socorro, o ameaçador contumaz é capaz de jurar de pés juntos que a lua é o principal refletor de sua campanha. Para o bem da humanidade, isso Napoleão não viu e, portanto, não mostrou.

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