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Rumo ao Buriti

Gim põe pá de cal em rumores de racha e cola Avante a Arruda

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José Seabra - Foto de Arquivo

O ex-senador Gim Argello decidiu colocar uma pá de cal nas especulações que circularam nos últimos dias pelos bastidores da política brasiliense. Presidente regional do Avante, ele nega que o partido tenha rompido com o PSD e reafirma que a legenda continua no projeto político que tem José Roberto Arruda como candidato ao Governo do Distrito Federal.

Mais do que negar um rompimento, interlocutores próximos a Gim sustentam que sequer seria apropriado falar em armistício. Afinal, argumentam, armistício pressupõe que tenha existido uma guerra, e, segundo eles, guerra nunca houve.

O que existe, dizem correligionários do ex-senador, é uma “paz permanente” entre dois grupos políticos que construíram juntos um projeto para as eleições de outubro e que continuam compartilhando o mesmo objetivo de disputar o Palácio do Buriti sob a liderança de Arruda.

A manifestação procura encerrar uma sequência de informações que apontavam para um afastamento entre Gim e Arruda depois das negociações em torno da composição da chapa majoritária. A escolha do ex-deputado Luiz Pitiman, do PSD, para ocupar a vice provocou ruídos porque o Avante trabalhava para ocupar esse espaço.

As divergências sobre a vice, porém, não significariam o fim da aliança. É sabido que na política, especialmente durante a montagem de chapas, interesses partidários nem sempre caminham sem tropeços. Há reivindicações, recuos, compensações e rearranjos. O Avante queria mais espaço na composição majoritária e não escondia essa pretensão, mas transformar uma disputa legítima por espaço em rompimento político seria, na avaliação de dirigentes da legenda, dar aos acontecimentos uma dimensão que eles nunca tiveram.

Um retrospecto sobre o cenário político indica que a relação entre Avante e Arruda não nasceu às vésperas do registro das candidaturas. Em março, quando o quadro eleitoral ainda estava em formação, o partido comandado por Gim anunciou publicamente sua adesão ao projeto de Arruda. Na ocasião, o Avante chegou a reivindicar a indicação do candidato a vice-governador. Nos meses seguintes, as duas legendas promoveram encontros conjuntos e trabalharam na organização das nominatas proporcionais.

Gim tornou-se uma das peças importantes dessa engrenagem, e Arruda, posteriormente filiado ao PSD, ganhou o respaldo da direção nacional da legenda comandada por Gilberto Kassab. No Distrito Federal, o projeto também incorporou o empresário e ex-vice-governador Paulo Octávio, uma das principais lideranças do PSD brasiliense.

Assim foi sendo formada uma espécie de condomínio político no qual Arruda representa a candidatura ao Buriti, enquanto Paulo Octávio passou a ser estimulado pela direção partidária a disputar uma cadeira no Senado. É dentro dessa construção que Gim decidiu manter o Avante.

O problema apareceu quando chegou a hora de transformar conversas de bastidores em nomes na chapa. O Avante alimentava a expectativa de indicar o vice, mas a escolha de Pitiman pelo PSD naturalmente provocou desconforto e abriu espaço para diferentes versões sobre o futuro da aliança.

Houve até informações publicadas dando como um rompimento consumado. Agora, porém, Gim fecha essa porta definitivamente. A mensagem transmitida por seus interlocutores é de que uma divergência sobre espaços eleitorais não pode ser confundida com ruptura de um projeto político construído durante meses.

Se havia fumaça, portanto, Gim acaba de demonstrar que não houve incêndio. Assim, para o Avante comandado pelo ex-senador, o ponto central permanece inalterado, com José Roberto Arruda sendo o candidato do grupo ao Governo do Distrito Federal.

Todo esse tabuleiro político não foi mexido apenas em Brasília. Arruda chegou ao PSD com o aval do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Paulo Octávio, por sua vez, permanece como uma das figuras centrais na montagem da chapa e também recebeu estímulo da direção nacional para entrar na corrida pelo Senado.

Quanto a Gim, experiente conhecedor dos caminhos e dos atalhos da política brasiliense, parece compreender que eleições não são vencidas apenas pela ocupação de espaços numa chapa, mas também pela capacidade de preservar alianças quando surgem divergências. Por isso, seus aliados rejeitam até mesmo a palavra reconciliação. “Não há o que reconciliar, muito menos a necessidade de bandeira branca, porque, segundo essa versão, ninguém declarou guerra.

Em uma reunião na manhã desta segunda, 17, Gim Argello deixou claro que o Avante continua no mesmo barco, Arruda permanece no leme e o destino político traçado pelo grupo continua sendo o Palácio do Buriti. É verdade que as águas podem até ter ficado revoltas durante alguns dias; contudo, se houve disputa por espaço, versões conflitantes e muita conversa atravessada pelos corredores da política, tudo ficou para trás. E para Gim e seus correligionários, o episódio está encerrado.

“Nada de armistício”, sustenta um prócer do PSD. E finaliza: “A frase que ressoa e se espalha pela capital é paz permanente.”. Portanto, a menos de dois meses das urnas, é exatamente dessa imagem de unidade que Arruda, Gim, Paulo Octávio e seus aliados precisam para mostrar ao eleitorado que a aliança não naufragou antes mesmo de começar a travessia, e continua “firme no caminho da vitória com muito trabalho e fé em Deus”, ressalta um dirigente do PSD.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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