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Fake repetida

Direita afunda ao tentar desqualificar a esquerda

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Ao contrário do que pregam os conservadores, a direita brasileira não pode ser considerada exemplo único de nada, tampouco que esteja dois séculos à frente da esquerda. É uma balela dizer que a direita se renovou mais, que consegue conversar melhor com o eleitorado e que tem melhores quadros. O dia a dia mostra o contrário. Não é pouco caso com a direita, que sempre dispôs de nomes reconhecidamente de ponta. Por exemplo, como não lembrar dos discursos e das intervenções em plenário de Affonso Arinos, José Sarney, Roberto Campos, Jarbas Passarinho, Delfim Netto, Ricardo Fiúza, Marco Maciel, Itamar Franco e Marcondes Gadelha.

São ex-parlamentares, ministros, vice-presidentes e presidentes com alguma notoriedade e que participaram e ajudaram a escrever o lado bom da história do Brasil. Por isso, são merecedores de respeito eterno. No entanto, para encurtar a conversa, enquanto tentam desqualificar a esquerda, Lula da Silva caminha para seu quarto mandato presidencial, deixando a direita cada vez mais longe do Palácio do Planalto. Triste, mas o clã Bolsonaro virou tábua de salvação para oportunistas e mamadores das tetas públicas. São eles que trabalham para incluir Jair Bolsonaro, seus filhos e alguns de seus principais bajuladores na seleta lista de conservadores de boa cepa.

O problema é que nem mesmo os supostamente iguais os aceitam. Se querem ter certeza, perguntem a Gilberto Kassab, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, entre outros. É verdade que, no Brasil, a esquerda está a reboque da direita no item redes sociais. Apesar do vanguardismo tecnológico, desde Juscelino Kubitschek, a direita elegeu apenas três mandatários ultraconservadores: Jânio Quadros, Fernando Collor e Jair Bolsonaro. Achar que os três são suficientes para afirmar que, mesmo empoderado por recursos internacionais, o conservadorismo está à frente da esquerda é passar recibo, considerando que Jânio governou por apenas sete meses, Collor sofreu impeachment com dois anos de mandato e Bolsonaro não foi reeleito.

Na atual conjuntura, o quadro político-partidário continua desestimulador para a direita, particularmente para a extrema-direita ora “liderada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Há duas semanas, Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, adiantou que o Centrão, segmento mais sedimentado da direita, está com Lula da Silva. Na mesma ocasião, ele adiantou que a chance de Flávio Bolsonaro vencer a disputa presidencial é “zero”. O eleitorado sabe que peru não morre de véspera.

Por isso, mesmo com todos os indicativos favoráveis, cautela e caldo de galinha são recomendáveis pelo menos até a véspera do dia 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições presidenciais. Embora haja necessidade de calma, poucos têm dúvida de que o candidato do PL descerá ladeira abaixo a partir do momento em que a campanha chegar ao rádio e à televisão. É aí que o jogo começará de fato a ser jogado. Flávio Bolsonaro vai desabar quando o petismo e seus aliados o desnudarem para o grande público do Brasil.

Tentar vincular a violência urbana e política à esquerda é outra lorota repetida para enganar os bobos. Desconstruindo o que os conservadores construíram ao longo do tempo como verdade absoluta e universal, não é a esquerda a responsável pelas mazelas do Brasil e do mundo nessas três ou quatro últimas décadas. Por exemplo, é bom reavivar memórias e lembrar que foi a direita que recentemente reduziu a Faixa de Gaza a pó, que invadiu o Líbano e o Irã e que tentou anexar o México, o Canadá e Groenlândia.

Voltando um pouco no tempo, a direita matou John Kennedy, Marti Luther King e Vladimir Herzog, prendeu Nelson Mandela e Luiz Inácio Lula da Silva, produziu duas guerras mundiais, explodiu a bomba atômica que matou mais de 200 mil inocentes e investiu em guerras no Vietnã, Golfo, Iraque, Afeganistão e em mais de 50 país. Especificamente no Brasil, o atentado do Riocentro, em 1981, o fracassado golpe contra a vitória de Lula, em 2022, e a barbárie de 8 de janeiro de 2023 jamais serão esquecidos. E ainda tentam se eleger com o argumento de que a esquerda é violenta.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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