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Cantinho do Leitor

Neide Nascimento e o amor diário pelo Café Literário

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Fotos Arquivo Pessoal

O Cantinho do Leitor tem a honra de apresentar uma conversa inspiradora com uma de suas seguidoras mais fiéis e apaixonadas. Neide Nascimento, natural de Caxias, no Maranhão, transformou a leitura diária de nossas publicações em um ritual sagrado e indispensável. Com um entusiasmo contagiante, ela não deixa passar um único dia sem se banquetear com as palavras e reflexões que compartilhamos, provando que a literatura é o combustível ideal para começar as manhãs com sensibilidade e inspiração.

Essa paixão avassaladora pela palavra escrita não é por acaso, pois Neide carrega no sangue o orgulho de ser conterrânea de ninguém menos que Gonçalves Dias, o mestre do Romantismo brasileiro. Criada sob as brisas do Rio Itapecuru e cercada pela rica bagagem histórica de sua terra natal, ela traduz em seu cotidiano a essência poética que define o povo caxiense. Nas linhas a seguir, nossa querida leitora compartilha suas conexões com a poesia, suas memórias afetivas e a forma como os livros iluminam a sua rotina.

Neide, você não perde um único dia das nossas publicações. De onde vem esse amor diário pelo Café Literário?

Vem da necessidade de alimentar a alma. O Café Literário virou o meu ritual matinal sagrado. Assim como o corpo precisa do café preto para despertar, a minha mente precisa da sensibilidade de vocês para começar o dia com mais beleza e reflexão.

“A poesia já nasce no nosso sangue caxiense”

Você nasceu em Caxias, no Maranhão, a mesma terra de Gonçalves Dias. Como é crescer respirando a herança do maior poeta romântico do Brasil?

É um orgulho que carrego no peito. Em Caxias, a poesia parece que brota das palmeiras e do Rio Itapecuru. Crescer sabendo que pisamos no mesmo chão que Gonçalves Dias nos faz encarar as palavras com mais respeito e admiração. A poesia já nasce no nosso sangue caxiense.

Sendo a poesia o seu gênero favorito, o que um bom poema precisa ter para tocar o seu coração?

Precisa de verdade e de ritmo. Não ligo para rimas perfeitas, mas o poema tem que ecoar dentro da gente. Gosto daquela poesia que parece que leu os nossos pensamentos secretos e os transformou em arte. Se me fizer parar e suspirar, já me conquistou.

Além do ilustre Gonçalves Dias, quais outros poetas ou escritores têm um lugar garantido na sua cabeceira?

Sou completamente apaixonada por Carlos Drummond de Andrade, pela força de Clarice Lispector e pela doçura de Florbela Espanca. Também guardo muito carinho pelos poetas maranhenses contemporâneos, que continuam mantendo a nossa chama literária viva. Ah, e os poetas publicados no Café Literário. Gente, deixe-me pensar… Luzia Couto, Simone Magalhães, Álvaro Salgado… Ah, tem o Saulo Braga também. É tanta gente, mas, aos poucos, vou gravando os nomes e o estilo de cada um.

Se você pudesse escolher apenas um poema de Gonçalves Dias para ser o hino da sua vida, qual seria?

Sem hesitar, Canção do Exílio. Sei que parece o mais óbvio, mas a ligação que ele descreve com a nossa terra, com o nosso céu e com as nossas palmeiras é exatamente o que sinto pelo meu Maranhão. É um poema que reza a nossa identidade.

“A poesia é como uma lente colorida para dias cinzentos”

Como a literatura e a poesia ajudam você a enxergar a rotina e o dia a dia?

A poesia é como uma lente colorida para dias cinzentos. Ela me ajuda a ver beleza nas pequenas coisas, como o barulho da chuva, o sabor do café ou o sorriso de um vizinho. Sem a literatura, a vida seria pesada demais; com ela, tudo ganha um propósito maior.

Existe algum texto ou poema publicado no Café Literário que tenha te marcado de forma especial recentemente?

Sim, há poucas semanas vocês publicaram um texto sobre a passagem do tempo e a importância de valorizar as nossas origens. Parecia que foi escrito sob encomenda para mim. Copiei no meu caderno de recordações e reli várias vezes ao longo do dia.

“Poesia não é uma equação de matemática”

Muitas pessoas dizem que não leem poesia porque acham um gênero “difícil”. O que você diria para incentivar essas pessoas?

Eu diria para elas não tentarem explicar a poesia, mas sim sentir. Poesia não é uma equação de matemática. Se você ler um verso e ele te trouxer uma memória ou um sentimento, você já entendeu o poema. Comecem lendo devagar, sem pressa e de coração aberto.

Como caxiense e leitora assídua, qual paisagem da sua terra natal você acha que mais combina com uma boa tarde de leitura?

Uma tarde no Complexo Turístico da Balaiada ou bem pertinho do Rio Itapecuru. O vento que sopra por ali, misturado com o silêncio e a história da nossa cidade, cria o ambiente perfeito para a gente mergulhar nas páginas de um livro de poesias.

“Ler é a minha forma de voar sem tirar os pés do meu querido chão maranhense”

Para encerrar, se você pudesse resumir a sua relação com a leitura em uma única frase, qual seria?

Ler é a minha forma de voar sem tirar os pés do meu querido chão maranhense.

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Caro leitor, caso você também queira parcicipar do Cantinho do Leitor, entre em contato conosco através do e-mail: concursocontosecronicas@notibras.com

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