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Resgatando a história

Direita e esquerda são farinha do mesmo saco

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Direita ou esquerda volver deixou de ser somente o comando militar usado em treinamentos, desfiles ou marchas. Nos bons (?) tempos do Brasil, o termo significava somente uma ordem unida determinando que o militar ou grupo de militares girassem 90 graus para um ou outro lado. Transformada em disputa política de vida ou morte, hoje direita e esquerda transitam em direções contrárias, têm visões opostas em relação ao país e mantêm espectros ideológicos que comumente geral conflitos letais entre seus representantes.

Nascidos na Revolução Francesa de 1789, os termos dividiam fisicamente os deputados na Assembleia Constituinte, onde os parlamentares se sentavam em lados opostos do plenário de acordo com suas opiniões sobre o poder do rei e o futuro da sociedade. À direita, ficavam os girondinos (nobres e o clero), os quais exigiam a manutenção da monarquia e dos privilégios, bem como a continuação da organização social fundamentada na desigualdade. À esquerda, os jacobinos (grupos populares associados ao progresso) defendiam reformas profundas, o fim do absolutismo, maior igualdade social e distribuição de renda.

Como se vê, após quase dois séculos e meio de um evento que mudou a história da política e da sociedade no mundo ocidental, os conceitos são os mesmos. De lá para cá, cada lado usa frases marcantes para defender seus valores, mobilizar eleitores e, sobretudo, criticar adversários. Diferenças à parte, acho que o radicalismo mudou de lado desde que os jacobinos tentaram mudar a sociedade francesa na raiz. Pode ser apenas uma questão de tom, mas não vejo intransigência ou inflexibilidade nas frases “Educação e saúde não são mercadorias”, “Nossa lita é por justiça social e inclusão” e “Abaixo a desigualdade social”.

Embora façam parte do jogo democrático, não digo o mesmo das expressões “Nossa bandeira jamais será vermelha”, “Deus, pátria e família” e “Deus acima de tudo, o Brasil acima de todos”. Talvez direita e esquerda tenham se convertido em dois aglomerados de torcidas bem distintas: uma é amplamente a favor de benefícios para o povo, enquanto a outra mata e morre para defender exclusivamente políticos e a perpetuação no poder de famílias pouco politizadas, mas amplamente tiranizadas. Entre as flores e o chicote, fico com a paz.

Como defensor ferrenho da democracia verde e amarela, para mim direita e esquerda são conceitos variáveis e não necessariamente definidores do cidadão. São as falsas verdades daqueles que ultimamente têm vivido para dividir o Brasil entre bons e ruins. O que eles esquecem é que, repito, esquerda e direita não são discursos ideológicos estáveis, mas símbolos de união grupal. Ou seja, desde que verbalizem seu posicionamento, duas ou três pessoas juntas podem se transformar em “torcedoras” de uma dessas facções. O resto é retórica.

O que não deve ser esquecido por nenhum dos cerca de 213 milhões de brasileiros, incluindo os milhares de candidatos ávidos pelo título de excelência, é que, sejam “coisos” ou “fascistas”, somos todos farinha do mesmo saco, embora de mandiocas variáveis. Resumindo, com a possibilidade real de o extremismo ser varrido para debaixo do tapete, me parece salutar que comecemos a avaliar a democracia como um sistema de integração e não como uma guerra fratricida. Em tempos de evolução física, mental e emocional, o ideal é evitar a defesa cega de figuras públicas com as quais nunca tomamos uma cerveja. Aliás, na cultura de botequim, brigar por política no atual cenário é o mesmo que ter uma crise de ciúme na Zona do Baixo Meretrício. Que o dia 3 de outubro chegue logo!

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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