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Amigo do rei, carrasco do rival

O milagre da neutralidade que cai do céu

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@donairene13 - Divulgação

André Mendonça chegou ao STF por indicação do então presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro, embora sua nomeação também tenha dependido da aprovação do Senado. Mendonça mantém ainda uma relação de amizade com Michelle Bolsonaro. Em 2021, quando o Senado aprovou seu nome para o Supremo, Michelle estava ao lado dele e comemorou emocionada, inclusive falando em línguas, manifestação religiosa comum entre grupos pentecostais.

Hoje, Mendonça está à frente de investigações envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula, principal adversário de Flávio na eleição. Essas apurações podem ter impacto político direto sobre a campanha presidencial. Ao mesmo tempo, como ministro do TSE, Mendonça já determinou a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associava Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Flávio, por sua vez, faz da defesa do pai parte central de sua campanha e afirmou que, em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro estará novamente subindo a rampa do Planalto ao seu lado.

Isso não significa afirmar que André Mendonça esteja agindo de forma parcial. Mas a Justiça não precisa apenas ser imparcial: também precisa transmitir confiança de que suas decisões estão livres de vínculos pessoais ou políticos. Pelo bem da moralidade e da credibilidade das instituições, seria razoável discutir se Mendonça deveria se declarar impedido ou suspeito em decisões com impacto eleitoral direto sobre a família responsável por sua indicação e com a qual mantém relações pessoais tão conhecidas. Em um momento eleitoral tão delicado, evitar qualquer aparência de conflito de interesses também é uma forma de proteger o próprio STF.

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