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Conflito político

Repulsa a nome terá seu peso na hora do voto

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Assim como na política, na vida normal algumas pessoas não entendem que a Terra gira ao redor do sol e não em torno delas. Como eles não aceitam nenhum outro candidato de fora da família, a arrogância do clã Bolsonaro e dos bolsonaristas me leva a acreditar que a razão da excessiva preocupação com a superioridade é porque eles morrem de medo de ser inferiores. Alguém precisa informá-los que, conforme Jean-Paul Sartre, a vida começa do outro lado do desespero.

Ou seja, se unam novamente, tenham respeito pelos adversários e pelos eleitores que não os querem, parem de decepcionar o povo, esqueçam o golpismo, o totalitarismo e as ameaças internas e externas e, principalmente, pensem primeiro no país e depois em vocês. Quem sabe a partir da solução dessas disfunções de caráter da maioria de seus integrantes, o bolsonarismo volte a ter algum posicionamento político capaz de ser absorvido pelos brasileiros que só querem viver em paz?

Mesmo contra todos os bolsonaristas, o Brasil de 2026 caminha para a consolidação da democracia. Graças a essa sonhada e muito aguardada conquista, hoje a disputa pela Presidência da República não é mais necessariamente entre progressistas e conservadores, entre esquerda e direita. Depois do extremismo exagerado de um mito forjado na ignorância política de alguns, o conflito político é basicamente sobre quem é alvo de menos repulsa popular. Façam suas apostas.

Não fosse o esfacelamento da direita, estaríamos até agora convivendo com a bobagem chamada polarização. Fugindo do radicalismo plantado e estimulado por Jair Bolsonaro desde 2018, as legendas moderadas decidiram procurar seus próprios caminhos, deixando o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na orfandade. Curiosamente, o clichê de que a esquerda é desunida e incapaz de governar para todos parece ter trocado de mãos ou, se preferirem, de via.

Não sou autor da máxima de que, após o fracasso eleitoral do bolsonarismo e da consolidação de Luiz Inácio Lula da Silva como referência do vanguardismo político, a direita brasileira derreteu. Uma pena, na medida em que, sem oposição, a tendência é que o Brasil continue cada vez mais distante dos dois ou dos três brasis que sonhamos extinguir. Independentemente da tentativa de intromissão norte-americana na política brasileira, nós, o povo, somos os únicos responsáveis por nossas escolhas. Se queremos ser realmente livres, temos a obrigação de decidir o que queremos sem culpar o signo, o destino ou o universo.

O passado mentiroso de um e o pretérito menos colorido de outro não devem influenciar no voto para presidente da República. O que está em jogo é o futuro da nação. Nesse futuro não cabem mais ditaduras, ações terroristas, tampouco ameaças veladas de invasão externa caso o atraso não vença em 3 de outubro. Para alcançar o progresso que os verdadeiros patriotas almejam, é preciso competência, vontade, coragem, ímpeto político e projetos de governo. É fácil saber quem dispõe e quem não dispõe desses predicados. Bato sempre na tecla de que Lula pode não ser a melhor alternativa, mas, com certeza, não é a pior. Por mais que o critiquem, por mais que não queiram, ele sabe o que faz.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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