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Dr. Leo

Borzoi: do luxo dos czares ao sofá de casa

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Imagine um cachorro que carrega a imponência de um rei, a velocidade de um atleta e o comportamento tranquilo de um bicho-preguiça dentro de casa. Esse é o Borzoi, também conhecido como Galgo Russo ou Wolfhound Russo. Embora ainda seja uma raça rara de se ver desfilando pelas ruas do Brasil, esse canino de porte grande e beleza exuberante tem uma história fascinante. Com sua cabeça longa, postura orgulhosa e uma pelagem acetinada que varia entre tons de branco, dourado, vermelho, cinza e preto, ele chama a atenção por onde passa.

A trajetória do Borzoi é digna de um filme de época e remonta à Idade Média russa, período em que já era documentado. Naquela época, ele se tornou o companheiro favorito da nobreza e da aristocracia local. A realeza utilizava a agilidade desses cães para grandes caçadas e competições de corrida pelos campos. Para a elite russa, ter esses animais era um símbolo máximo de poder, prestígio social e sofisticação perante as cortes europeias.

No século XV, os criadores decidiram aprimorar a raça por meio de cruzamentos altamente selecionados para enfrentar o clima local. O objetivo era aumentar o tamanho dos cães e torná-los mais resistentes ao inverno congelante da Rússia. Esse processo de seleção genética acabou dando origem a sete variações diferentes do animal. Entre essas variantes, a chamada “perchino” era a que mais se assemelhava ao padrão que conhecemos hoje no Borzoi moderno.

Os Czares russos tinham tanto orgulho desses animais que eles viraram uma espécie de presente oficial de Estado da coroa. O governante da época costumava presentear os visitantes estrangeiros importantes com belos exemplares da raça. Por conta desse hábito imperial, o Borzoi começou a cruzar as fronteiras da Rússia e chegou aos lares de diversos reis, rainhas e nobres por toda a Europa, ganhando fama internacional por sua exótica beleza.

Porém, essa forte ligação com a riqueza e o poder quase causou a extinção total desses cães no início do século XX. Durante a Revolução Russa de 1917, os revolucionários passaram a associar os animais diretamente à opressão da aristocracia que queriam derrubar. Como resultado desse conflito político, muitos canis foram destruídos e uma grande quantidade de Borzois acabou sendo morta. A raça só não sumiu do mapa porque muitos exemplares já viviam protegidos no mundo ocidental.

Depois de quase desaparecer em sua terra natal, o Borzoi encontrou um porto seguro do outro lado do oceano, nos Estados Unidos. Em solo americano, a população desses cães cresceu de forma rápida e segura e eles ganharam um novo status social. O cão de caça dos imperadores se transformou em um símbolo de glamour internacional, virando o companheiro inseparável de grandes celebridades da época e conquistando as telas e revistas de moda.

Com o fim dos conflitos, os criadores russos conseguiram recuperar a raça no país utilizando animais que haviam sido poupados ou importados de volta. Hoje, quem olha para o Borzoi se impressiona com suas características físicas marcantes. Os machos adultos são verdadeiros gigantes, medindo entre 74 cm e 85 cm de altura e pesando de 35 kg a 50 kg. As fêmeas são um pouco menores, mas ainda imponentes, com altura a partir de 66 cm e peso entre 25 kg e 40 kg.

Por trás do tamanho gigante, esconde-se um bicho dócil, sensível, muito silencioso e incrivelmente calmo na rotina do lar. O Borzoi ocupa a 75ª posição no ranking de inteligência canina e, embora possa ser um pouco teimoso ou independente, é um companheiro maravilhoso. Ele não é de latir sem motivo e usa a voz apenas para alertar o tutor sobre a aproximação de estranhos. Com visitas, ele costuma manter uma postura mais reservada e distante, sem demonstrar agressividade.

Quem deseja ter um Borzoi precisa entender que ele é um atleta nato que carrega um forte instinto de caçador em seu DNA. Por essa razão, apartamentos ou espaços muito pequenos definitivamente não são recomendados para a raça. Eles têm muita energia para gastar e necessitam de uma área livre e ampla para correr diariamente. No entanto, esse espaço precisa ser totalmente cercado, pois se eles avistarem um gato ou outro animal menor, vão iniciar uma perseguição veloz.

No quesito saúde, o Borzoi é um cachorro forte, mas que exige atenção do tutor para duas condições médicas importantes. Assim como outros galgos, ele possui uma sensibilidade muito alta a medicamentos anestésicos comuns. Além disso, a raça tem grande tendência a sofrer com a perigosa torção gástrica. Para evitar esse problema grave, a regra de ouro é nunca deixar o seu pet correr, brincar ou fazer qualquer esforço físico logo após se alimentar ou beber muita água.

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Instagram: @leoobernar

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