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Disputa pelo Buriti

Celina é boa de corrida, mas tropeça na rejeição

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto de Arquivo

A governadora Celina Leão (PP) aparece numericamente à frente na corrida pelo Palácio do Buriti, mas carrega um dado que pode se transformar em obstáculo importante até outubro: ela também lidera a rejeição entre os eleitores do Distrito Federal.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) mostra Celina com 30% das intenções de voto, contra 28% do ex-governador José Roberto Arruda (PSD). Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

Bem mais atrás aparecem Leandro Grass (PT), com 11%; Paula Belmonte (PSDB), com 4%; Ricardo Cappelli (PSB), com 3%; Kiko Caputo (Novo) e Professora Samara Mineiro (UP), ambos com 2%; Elisson (Agir) e Professor Robson (PSTU), com 1% cada. Expedito Mendonça (PCO) aparece com 0%.

Brancos, nulos ou eleitores que não escolheriam nenhum dos nomes apresentados somam 11%, enquanto 8% disseram não saber em quem votar.

Se a fotografia da intenção de voto coloca Celina na dianteira numérica, o levantamento revela uma espécie de espelho invertido da disputa. A governadora também ocupa o primeiro lugar quando a pergunta é em quem o eleitor “não votaria de jeito nenhum”.

Celina é rejeitada por 32% dos entrevistados. Arruda vem logo depois, com 30%. Novamente, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois também estão tecnicamente empatados nesse quesito.

O dado chama atenção porque os dois candidatos que concentram a maior parcela das intenções de voto são justamente aqueles que enfrentam as maiores resistências do eleitorado.

No caso de Celina, há uma peculiaridade: seus 30% na pesquisa estimulada convivem com 32% de rejeição. Arruda apresenta situação semelhante, com 28% das intenções de voto e 30% de eleitores dizendo que não votariam nele de maneira alguma.

A diferença entre os dois primeiros colocados e os demais é expressiva também nesse indicador. Leandro Grass registra rejeição de 19%. Paula Belmonte, Ricardo Cappelli e Kiko Caputo aparecem com 11% cada.

Na sequência estão Expedito Mendonça, com 8%; Professor Robson e Elisson, com 7%; e Professora Samara Mineiro, com 5%.

Outros 4% afirmaram que votariam em qualquer um ou não rejeitam nenhum candidato. Já 3% rejeitam todos os nomes apresentados, e 11% não souberam responder.

A combinação entre intenção de voto e rejeição ajuda a revelar um cenário mais complexo do que a simples leitura do primeiro lugar.

Celina tem a vantagem numérica na largada desta etapa da campanha, mas também encontra uma barreira considerável entre aqueles que afirmam não admitir votar nela. Arruda enfrenta problema praticamente idêntico.

Com os dois tecnicamente empatados tanto nas intenções de voto quanto na rejeição, a disputa pelo Buriti permanece aberta. Para Celina, o desafio não será apenas preservar os eleitores que já aparecem ao seu lado, mas tentar reduzir a resistência de quem hoje descarta sua candidatura.

Para Arruda, a equação é semelhante: crescer sem ampliar a própria rejeição e buscar votos entre os eleitores que ainda não se decidiram ou que hoje estão com candidaturas menos competitivas.

Os números mostram ainda espaço para movimentações. Somados, os que pretendem votar em branco, anular ou em nenhum candidato e aqueles que não sabem responder chegam a 19% na pesquisa estimulada.

É nesse contingente, além da disputa pelos eleitores dos candidatos que aparecem mais atrás, que a eleição pode encontrar seu ponto de desequilíbrio.

Por enquanto, portanto, Celina pode comemorar o primeiro lugar — mas sem ignorar o outro lado da pesquisa. A mesma fotografia que a coloca numericamente à frente na corrida pelo Buriti também a coloca no topo da lista daqueles em quem o eleitor diz que não votaria de jeito nenhum.

O Datafolha ouviu 910 eleitores entre os dias 18 e 21 de agosto. A pesquisa foi contratada pela Globo e pela Folha de S.Paulo. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob os números DF-07561/2026 e BR-02094/2026.

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