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Motociata furada

Lula tem apoio do Brics para confrontar Trump na corrida sucessória

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A campanha para a Presidência da República está apenas começando. Entretanto, já há indícios fortes de quem chega, de quem fica pelo caminho e de quem, desde agora, busca desculpas esfarrapadas para justificar ausências em entrevistas e em debates e para cancelamentos de motociatas por absoluta falta de quórum. As desculpas são o mau tempo, a rouquidão eleitoral e, às vezes, dores inesperadas entre o A e o B. Por razões óbvias, a falta de público nunca é lembrada. É o caso de Flávio Bolsonaro e sua furada motociata.

Curioso é que a tal passeata motorizada ocorreria justamente em Juiz de Fora, a cidade onde o pai levou a facada que o levou à vitória em 2018 Enquanto Flávio se diz o único presidenciável em condições de “sentar com os Estados Unidos”, o candidato a ser batido nada de braçada, conversa sério com o “colega” Donald Trump e é ovacionado em um campo de futebol do denso e esquecido subúrbio do Rio de Janeiro. É de sangrar os olhos dos antagonistas.

Apesar de uma revista semanal pinçar de determinado instituto dados indicando que Flávio Bolsonaro tem vantagem de nove pontos percentuais sobre Lula na cidade do Rio de Janeiro, as pesquisas tête-à-tête revelam que o presidente da República terá apoio maciço da população dos Brics, agrupamento dos bairros de Bangu, Realengo, Irajá, Campo Grande e Santa Cruz. Juntas, essas localidades são, de longe, as mais populosas do município. Portanto, essa é uma conta que não bate.

Com um olho no padre e outro na missa, Lula segue sem ziguezagues, sem encruzilhadas e quebrando pedras na célere caminhada rumo à quarta encarnação no Palácio do Planalto. A grande pedreira a ser explodida, o tarifaço de Trump, foi deixada no caminho de Luiz Inácio há dois ou três pelo candidato da extrema-direita. Com seu jeito nordestino de ser, mas com o desembaraço de quem sabe o que diz, o líder do petismo ligou para o principal inquilino da Casa Branca.

Muito mais do que quebrar o gelo com Trump e reduzir as tensões entre os governos do Brasil e dos Estados, a conversa com o mandatário norte-americano priorizou a redução das super taxas cobradas pelos EUA sobre as exportações brasileiras. Donald Trump pode não gostar de Lula porque gosta de Bolsonaro, mas, diante dos argumentos de que o Brasil acumula déficit superior a R$ 90 bilhões no comércio bilateral, o próprio Trump sugeriu que as equipes técnicas dos dois países retomassem com urgência as negociações comerciais.

Apesar do muxoxo dos principais adversários, o bate-papo de Lula com Trump rendeu dividendos inquestionáveis para a campanha de Luiz Inácio. O fato é que, se faltou patriotismo de quem tentou, por meios escusos, derrubar a candidatura de Lula e, por extensão, a população brasileira, sobrou ao presidente da República Federativa do Brasil coragem e a força dos Brics para mostrar ao capo Donald Trump que a história não é sobre gostar, mas sobre respeitar a soberania de uma nação e de um povo.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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