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Anjo da guarda

Trump cava buraco negro procurando Kim

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Ao se aproximar de mala, cuia e samba canção do ditador norte-coreano Kim Jong-un, o pendular presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tirou a máscara, a massa corrida da cara e começa a mostrar ao planeta exatamente quem ele é. Provável reencarnação do imperador romano Nero, com partículas genéticas e neuróticas de Adolfo Hitler, Benito Mussolini, Josef Stálin, Saddam Hussein, Idi Amin Dada, Pol Pot e Augusto Pinochet, o czar norte-americano tem poder, mas morre de medo de perdê-lo. Daí a necessidade de ser e de parecer o dono do mundo.

Sintomática e efetivamente derrotado pelos aiatolás do Irã, Trump mais uma vez precisou sair pela tangente. Depois de Benjamin Netanyahu, Flávio Bolsonaro e Volodymyr Zelensky, Odorico Paraguaçu e Zeca Diabo, o anjo da guarda da vez é Jong-un, proprietário e donatário de um arsenal nuclear com cerca de 57 armas nucleares. Mentira ou não, o regime teocrático islâmico foi invadido pelo mandatário americano quando anunciou que usaria a energia nuclear para fins pacíficos e civis. Ou seja, rosas douradas para o amigo e mísseis assassinos para o inimigo.

Com a retórica esquecida no mar da Flórida ou no Golfo do México, a necessidade texana de aparecer e o pavor de seguir o exemplo de um colega sul-americano e passar para a história como o pior presidente dos 250 anos dos EUA como nação independente, o moço do cabelo amarelado não tem alternativa. Após recolocar seu país no mapa das pátrias mais odiadas do globo terrestre, Donald Trump está naquela fase de escolher por respostas rápidas e convincentes para o povo ou optar pelo abismo ou pelo despenhadeiro.

Enfim, por sua conta e risco, o líder republicano, com apenas 33% de aprovação, tem vivido entre a cruz e a caldeira. Com a proximidade das eleições de meio mandato, marcadas para o dia 3 de novembro, a caldeira fervente está a dois passos de ser ligada pelos democratas. A definição política é clara: em decorrência dos repetitivos atropelos de Trump à legalidade, a tendência é que ele perca a maioria no Congresso local. Na Câmara, faltam poucas cadeiras para o naufrágio do aprendiz de déspota.

Caso os democratas vençam, a agenda do governo Trump deve ser paralisada e iniciada uma série de investigações contra o presidente. Resumindo, a provável derrota dos republicanos limitará drasticamente a capacidade de ação de Donald Trump na segunda metade de seu mandato presidencial e enfraquecerá o peso político do trumpismo. Com isso, começarão a ficar sem chão boa parte dos “patriotas” brasileiros que se esconderam sob a batina de frei Trump.

Embora a ideia do namoro republicano com Kim Jong-un seja desviar o foco da opinião pública em relação ao fiasco militar no Irã, o fracasso de seu discurso contra as guerras o feriu de morte. Com a imagem rabiscada desde sua absurda campanha anti-imigração e por conta dos tarifaços sem nexo, Trump convive hoje com a popularidade debaixo dos pés. E não será com uma narrativa de propaganda que irá recuperar o prestígio que ele acha que teve um dia. Na verdade, para recuperá-la certamente haverá necessidade de muitos Jong-uns. Talvez o Jong terá de ser dois, três e até mil para salvar Trump do buraco negro.

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