Curta nossa página


Enganadores profissionais

Políticos e pragas usam “maldade” como defesa

Publicado

Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Embora seja assíduo leitor dos ensinamentos dos novos e velhos pensadores, nem sempre concordo com eles. Tenho lido ensaios de psicólogos e psicoterapeutas modernos, para os quais pessoas que sempre desejam o mal aos outros não são pessoas más, mas fazem isso como um mecanismo de defesa. Pode ser, mas daí a aceitá-las como normal vai uma enorme distância. Como a cautela e coragem são as melhores armas contra a falsidade, sejam eles quem quiserem ser e venham de onde vierem, diante desses meu silêncio é minha autodefesa. Eu os ignoro.

É o que, naturalmente, faço com os candidatos a políticos e refaço, com muito nojo, com os políticos profissionais. Digo isso porque, no dia a dia, principalmente durante as campanhas, eles deixam claro que estão sempre prontos para atirar, mas nunca estão preparados para levar o tiro. Considerando que são farinha do mesmo saco, isto é, com a mesma origem, defeitos e comportamentos muito parecidos, adiro à desconfiança geral no sentido de que, independentemente de que sejam de direita, de esquerda ou de centro, os homens públicos, em vez da população, priorizam interesses próprios.

Seria esse o tal mecanismo de defesa? Se for, eu não concordo e não aceito. O argumento também aparece quando eleitores da extrema-direita decidem rotular lideranças rivais como equivalentes em seus erros. Essa tentativa de etiquetar os progressistas é o princípio e a fonte da monotemática polarização embrulhando petistas e bolsonaristas. Terrível ter de reconhecê-la com normalidade. Mais difícil ainda é buscar uma única razão capaz de justificar a igualdade entre quem pensa no bem-estar do povo e quem vive para explorar a boa-fé desse mesmo povo, cuja ingenuidade é sinônimo de cangalha.

Não há iguais entre os que agem de forma desigual. Simples assim. Realmente não acho que os candidatos a políticos queiram continuadamente o mal do eleitorado. A ideia comum é, conforme a eleição, somente usá-los a cada dois ou quatro anos. E fazem isso como se estivessem usando o artigo primeiro da cartilha dos enganadores profissionais. Na verdade, o objetivo é usar o povo para alcançar o poder econômico e, por extensão, o controle decisório. Na prática, eles são sanguessugas grudados na pele dos crédulos, ou seja, os que têm fé de mais.

Os que têm fé de menos não se encantam com qualquer cantoria. Por isso, preferem eleger os que se opõem à tese majoritária de que a política é a condução dos negócios públicos para proveito de particulares. Cético em relação ao comportamento humano, concordo com uma das máximas de Abraham Lincoln, ex-presidente dos Estados Unidos. Segundo Lincoln, aqueles que procuram pelo mal nas pessoas certamente o encontrarão. Não faço disso um projeto de vida. No entanto, me mantenho atento à bondade excessiva.

Hoje, se eu disser que não sou de esquerda, poucos acreditarão, mas é verdade. O que não sou é de direita, principalmente daquela direita que, de forma arrogante e ameaçadora, se acha superior. Resumindo, eu não me deixo intimidar pelo escárnio dos outros. Sapiência e capacidade mental à parte, pelo menos no espectro político minha inquietude em relação a autodefesa dos “maldosos” parece bem mais do que razoável do que meus mórbidos pensamentos sobre a ação quase generalizada dos chamados públicos.

Por exemplo, como ver sinceridade em um cidadã ou cidadão milionário que uma vez a cada dois ou quatro anos se dispõe a se imiscuir nas coisas do povo. Entre os milhares de postulantes à Presidência da República, aos governos estaduais e distritais, ao Congresso Nacional e aos parlamentos há centenas de candidatos com patrimônio muito superior a R$ 50 milhões. Alguns ultrapassam os R$ 120 milhões. Por que eles e elas brigam tanto por um desses cargos? Mesmo leigo no assunto, quero crer que o mecanismo de defesa seja a verdadeira justificativa dos que jamais imaginaram a sociedade com um bem a ser preservado mesmo fora das eleições.

…….

Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.