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Sem destino

Tempo

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

É o tempo que nos sacode,
como ventos que rasgam montanhas,
é a vida instável,
pedras lançadas sem destino,
marcas que se gravam na pele do existir.
Cicatrizes profundas,
fendas que se expandem,
rios vermelhos que correm,
como torrentes indomáveis.
É a vida que, erguida,
um dia te derruba.

Mas se o sopro for retomado, se o peito se abrir ao silêncio,
perceberás uma chama interior,
um alicerce invisível,
uma seiva que fortalece.
És tronco de madeira antiga,
raízes que não se quebram,
ergues-te diante da tempestade,
encaras o vendaval.
Porque és coragem,
és muralha,
e ainda permaneces inteiro.

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