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Mel dos teus beijos

Eco de um fogo que não se apaga

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Tento apagar-te da memória,
mas cada suspiro traz de volta o mel dos teus beijos,
o veludo dos teus dedos desenhando constelações na minha pele.

A distância é um oceano gelado que me separa do teu porto,
onde o calor do teu corpo era maré cheia,
e o teu toque, a única âncora que me mantinha viva.
A saudade não chega como brisa chega como tempestade,
devasta os jardins do pensamento,
deixa o peito em ruínas de desejo.

Meu corpo clama por ti em silêncio ensurdecedor,
a boca ainda guarda o gosto de fogo líquido dos teus lábios,
o eco ardente de um prazer que incendiava a noite inteira.

Restam-me apenas os tesouros gravados na alma:
noites tecidas de seda e relâmpagos,
momentos em que fui inteira, feliz, plena em teus braços.

Ainda ouso sonhar que o tempo nos devolverá o que nos roubou,
mas dúvidas dançam como sombras em salões vazios,
e eu me torno nômade entre o ontem e o talvez,
vagando pelo deserto dos relógios que se desfazem em areia infinita.

Quisera eu desmentir o espelho da verdade,
dizer que ainda és meu como antes,
que o medo não te transformou em névoa entre meus dedos.

Mas cada palavra tua revela o lento esvaecimento,
como rio que foge para o mar sem olhar para trás.
Sei que a felicidade cobra pedágio em moedas de dor:
decepções que viraram espinhos,
ingratidões que endureceram a terra do coração,
frustrações que cavaram abismos onde antes havia luz.

Esse medo te sufoca como hera escura,
estrangulando a vontade de florescer novamente.
Porém eu te amo com a força de quem compreendeu o mapa inteiro das tuas cicatrizes.

Meu amor é bálsamo de lua cheia,
remédio de estrelas moídas,
o único elixir capaz de fechar feridas que ainda sangram ao luar.

É vulcão que desperta depois de séculos de sono,
é rio subterrâneo que encontra caminho mesmo sob rochas.
Se me permitires, entrego-te este amor sem fronteiras,
sem reservas, sem medidas,
com a intensidade de um Kelud que irrompe em chamas e renova a terra.

Que ele seja teu refúgio, teu remédio, tua primavera tardia.
Assim te amo:
inteira,
eterna,
sem medo de amanhã.

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