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Dr. Leo

Babesiose, doença do carrapato que ataca cães

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

A babesiose canina é uma doença infecciosa grave que preocupa veterinários e tutores em todo o Brasil. Conhecida popularmente como uma das “doenças do carrapato”, essa enfermidade ataca diretamente o organismo dos cachorros. O problema principal é que ela destrói os glóbulos vermelhos, que são as células responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo do animal.

O grande vilão por trás dessa transmissão é o carrapato infectado, principalmente a espécie conhecida como “carrapato vermelho” (Rhipicephalus sanguineus). Quando o parasita pica o cachorro para se alimentar de sangue, ele libera o protozoário através de sua saliva contaminada. Além da picada, a doença também pode ser transmitida se o cão receber uma transfusão de sangue de outro animal que já esteja doente.

Assim que entra na corrente sanguínea do pet, o parasita invade as células vermelhas do sangue. Lá dentro, ele começa a se multiplicar rapidamente até fazer com que essas células se rompam completamente. Esse processo de destruição em massa gera um quadro perigoso de anemia hemolítica, deixando o cachorro fraco e sem energia de forma muito rápida.

O tempo que a doença leva para se manifestar, chamado de período de incubação, costuma variar entre 10 e 28 dias após a picada. No entanto, o parasita pode ficar escondido no corpo do animal por anos sem dar sinais. Os sintomas só aparecem muito tempo depois, quando o sistema de defesa do cachorro fica fraco por algum motivo de estresse ou outra doença.

Os tutores devem ficar atentos aos primeiros sinais de que algo está errado com o companheiro de quatro patas. O cachorro infectado costuma demonstrar uma tristeza profunda, apatia e passa o dia todo deitado sem querer brincar. A perda de apetite é outro sinal muito comum, fazendo com que o animal recuse até mesmo os seus petiscos favoritos e comece a emagrecer.

Com o avanço da anemia, outros sintomas físicos bem claros começam a surgir no corpo do pet. As mucosas dos olhos e da gengiva, que deveriam ser rosadas, ficam muito pálidas ou completamente brancas. O cão também costuma apresentar febre alta e, em casos mais avançados, pode ter icterícia, que é quando os olhos e as gengivas ganham uma cor amarelada.

Outro sinal de alerta muito importante que pode ser notado em casa é a alteração na urina do cachorro. Devido à destruição das células de sangue, a urina do animal passa a apresentar uma coloração muito escura, parecida com a cor de cerveja preta, ou exibe traços visíveis de sangue. Esse sintoma indica que o organismo está sofrendo e precisa de atendimento médico urgente.

A gravidade da doença varia muito de um animal para o outro, dependendo da imunidade dele e do tipo de parasita envolvido. Os filhotes de três a seis meses são os que mais sofrem e ficam vulneráveis, pois o sistema de defesa deles ainda está se desenvolvendo. Por outro lado, alguns cães adultos não apresentam nenhum sintoma, o que também é um perigo silencioso.

Os cães que estão infectados mas não mostram sinais da doença são chamados de assintomáticos. Se eles não forem descobertos e tratados, continuam carregando o parasita no organismo por longos períodos. Dessa forma, esses animais funcionam como uma fonte invisível de contaminação, transmitindo o protozoário para novos carrapatos que depois vão picar e adoecer outros pets.

Para descobrir se o cão está com a doença, o veterinário precisa realizar exames de sangue específicos. O hemograma completo é o primeiro passo para avaliar a gravidade da anemia e checar se as plaquetas estão baixas. Outro teste comum é o esfregaço sanguíneo, onde o médico analisa uma gota de sangue da ponta da orelha no microscópio para tentar enxergar o parasita.

Quando os exames tradicionais não são suficientes, os profissionais recorrem ao exame de PCR. Este é um teste molecular moderno e muito sensível que consegue identificar o próprio DNA do parasita no sangue do animal, garantindo a confirmação do diagnóstico. Descobrir a doença de forma rápida e assertiva é fundamental para começar o tratamento logo e salvar a vida do pet.

Embora o foco principal seja nos cães, a doença tem ampla distribuição e pode acometer animais silvestres e até seres humanos. Os gatos domésticos são os menos afetados porque não costumam ter tantos carrapatos quanto os cachorros. No Brasil, o clima quente e úmido favorece a proliferação dos carrapatos o ano todo, tornando a prevenção e o cuidado diário a melhor arma dos tutores.

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