Curta nossa página


Candidato a quê?

Vênus Platinada abre portas dos fundos para a candidatura de Flávio

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Reprodução/TV Globo

Por dever de ofício, exclusivamente por isso, mais uma vez fui obrigado a me concentrar no Plim Plim. Na verdade, fui levado de volta à Rede Globo de Televisão pelo que chamaram de sabatina dos candidatos à Presidência da República, versão 2026. Nada mudou desde 1989, quando transformaram em presidente alguém do interesse do grupo. Guardado o sigilo do meu voto, após ouvir desatentamente às entrevistas e a um interrogatório, me convenci de quem tem ou não capacidade e qualidade para tão honroso cargo.

Ainda inexpressivos no cenário nacional e, por isso, reservas de luxo, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema podem sair do banco em eleições futuras. Quem sabe em 2030, quando Luiz Inácio Lula da Silva provavelmente estará desfrutando da dolce far niente, termo italiano que significa “a doçura de não fazer nada” ou o “doce prazer da ociosidade”. Sei que acham o contrário, mas, para quem já fez tanto pelo Brasil, é muito pouco.

Cru, frágil, pouco crível e pífio como foi o pai, o candidato Flávio Bolsonaro não ganhou um único voto depois de tentar explicar o inexplicável aos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos. Entrou com um roteiro do tipo “cola”, e saiu da emissora consciente de que, como presidenciável, é um zero à direita. Tanto que, antecipadamente, foi mais ético do que o pai Jair e disse que aceitará o resultado das urnas. Sinceramente, não há outra saída.

Como Jair Bolsonaro achou no passado, Flávio Bolsonaro acha que será salvo pela manifestação convocada para 7 de setembro, dia da Independência do Brasil. Diante das imprecisões sobre sua relação com o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, a respeito do financiamento de Dark Horse, cinebiografia do pai, do pedido a Donald Trump para impor super tarifas às exportações brasileiras e do negacionismo em relação às mudanças climáticas, talvez reste ao candidato da extrema-direita a porta dos fundos da política.

Para quem não sabe nada de coisa alguma, como pedir votos para alcançar a principal cadeira da política nacional? Interessante foi ele falar de povo em rede nacional. Qual povo? O que ele odeia, o que não quer saber dele ou o que eles manipulam e desejam anistiar? O fato é que, depois de tudo o que foi dito e não dito, sobrou o óbvio ululante.

Lula pode não ser o pior para os “patriotas” contrários à democracia, mas é o melhor para quem ainda acredita no Brasil como uma nação coletiva, soberana, sem golpismos e com a soberba varrida para debaixo do tapete. Que chegue logo o dia 4 de outubro. Pelo menos a Vênus Platinada da família Marinho serviu para que os pingos fossem devidamente colocados nos is corretos. Cabe ao povo a palavra final.

……..

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.