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Negacionismo mortal

Povo rejeita Planalto-senzala e foco de vírus

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Uma sociedade pode desenvolver aviões, medicamentos, computadores e sistemas sofisticados de comunicação sem eliminar preconceitos ou hostilidade entre grupos. O problema é que essa mesma sociedade ainda não aprendeu a eleger cidadãos e cidadãs que correspondam aos anseios, às dificuldades e às angústias do povo. Escolher qualquer um para comandar os destinos de uma nação ou de poderes constituídos é a prova de que, como disse Martin Luther King Jr, aprendemos a voar e a nadar, mas está difícil aprendermos a viver como seres unidos e capazes de pensar prioritariamente no bem-estar de todos.

No Brasil dos penduricalhos, do golpismo, dos preconceitos públicos de alguns poderosos, da jogatina virtual, das fake news e da ladroagem política, a eleição de 2026 é o desenho mais cruel de nossa distância da civilidade e de uma reflexão mais ampla sobre convivência, justiça e responsabilidade humana. O planeta está se desmilinguindo. Mesmo assim, os que não admitem conviver com diferenças insistem em eleger os que só pensam em si, em seus interesses e, na medida do possível, em aniquilar os adversários transformados política e pessoalmente em inimigos.

Enquanto os negacionistas continuam comemorando suas sandices ideológicas, o Nepal derrete, o sarampo volta a incomodar o mundo e a política do faz o que eu mando e serás feliz avança desmedida e criminosamente sobre os incapazes de raciocínio, notadamente sobre os idiotizados pela ladainha de Donald Trump, líder da família Bolsonaro, a que oportuna e incessantemente trabalha para impor no Brasil a traiçoeira tese do negacionismo mortal. Esta semana, Trump decidiu reduzir de 18 para 11 o número de vacinas recomendadas no calendário infantil. No Brasil, são 15.

Oportunista e aproveitador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do “chefe” e produziu um vídeo declarando que a decisão de vacinar os filhos é de sua inteira responsabilidade. Também acho e, sinceramente, torço para que eles permaneçam vivos e sadios. Eduardo Bolsonaro é o mesmo que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ameaçou nomear como embaixador do Brasil nos Estados Unidos e, pasmem, é o mesmo que, caso eleito, o presidenciável Flávio Bolsonaro transformará em ministro das Relações Exteriores. Para os que adoram conviver com vírus, qual a diferença?

Como o futuro a Deus pertence, rogo a Ele para que liberte o Brasil e os brasileiros sérios e capazes dessa praga contagiosa e ainda sem cobertura vacinal. O longo preâmbulo não deve ser visto somente como uma crítica a determinados candidatos à Presidência da República. Pode parecer sincericídio – e é -, mas trata-se de um alerta contra o clã que, mesmo atolado até o pescoço em escândalos bancários e cinematográficos, mantém desesperadamente o foco no primogênito do principal concorrente. Além de garantir palco para a extrema-direita, a estratégia é lutar até o fim contra o definitivo colapso político da família.

Sabemos todos que campanhas políticas honestas são feitas muito mais com ideias e projetos e muito menos com ameaças e promessas que nunca serão cumpridas. Entre os falsos profetas, o ex-governador Ronaldo Caiado não percebeu, mas já cansou seus supostos eleitores com a história da anistia ampla e irrestrita aos baderneiros do 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro. A menos que se mude a lei de A a Z, terrorismo no Brasil é imperdoável e, portanto, sem possibilidade de anistia. Sei que é chover no molhado, mas não custa cobrar do eleitor responsabilidade e seriedade na hora de votar no dia 4 de outubro próximo.

Precisamos reconhecer que nossa necessidade é de gestores sábios, competentes, experientes e, sobretudo, defensores da democracia plena e absoluta. Fora disso, é mais do que dar um tiro no pé. É desejar que as principais figuras da demonologia aqueçam os caldeirões e nos condenem a viver mais quatro ou oito anos dominados pelos macrorganismos do mal. Xô, extraterrestres. A Presidência da República não é um circo, tampouco uma incubadora para manter vivas novas e velhas espécies de vírus.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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