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Sociologia

Durkheim provavelmente não teria sobrevivido ao grupo da família

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Durkheim dedicou parte importante de sua obra a pensar como a sociedade produz formas de coesão.

Tenho apenas uma pergunta: ele já tinha participado de um grupo de família?

Porque ali a solidariedade social assume formas bastante particulares.

Há regras.

Há sanções.

Há conflitos.

Há rituais.

Há símbolos.

Há mensagens encaminhadas.

Muitas mensagens encaminhadas.

E, em determinado momento, alguém manda “bom dia” com uma imagem de flores acompanhada de uma reflexão sobre gratidão.

A coesão social está garantida.

O grupo familiar é uma instituição curiosíssima.

Ninguém pediu para entrar.

Quase ninguém sabe como sair.

E, quando alguém tenta sair, imediatamente recebe uma ligação.

Existe também uma hierarquia.

Há quem possa mandar qualquer coisa.

Há quem precise pensar três vezes antes de responder.

Existe o parente que envia notícias falsas.

O outro que corrige.

O terceiro que manda áudio.

O quarto que não lê nada, mas reage com uma figurinha.

Uma pequena sociedade.

Com normas próprias.

Durkheim certamente encontraria fatos sociais ali.

E talvez encontrasse também seu limite metodológico.

Porque explicar o grupo da família exige uma teoria que considere não apenas solidariedade, mas também paciência, ironia e a capacidade humana de sobreviver a mensagens de oito minutos.

No fundo, talvez seja justamente isso que mantém algumas famílias unidas: não a ausência de conflitos.

Mas a habilidade coletiva de permanecer depois deles.

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