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Formas de sociabilidade

Simmel e a amizade que sobrevive a três meses sem mensagem

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Há amizades que precisam de contato diário.

Outras parecem possuir uma espécie de tecnologia própria.

Você desaparece.

A pessoa desaparece.

A vida acontece.

Três meses depois:

“Amiga, preciso te contar uma coisa.”

E a conversa continua exatamente de onde parou.

Simmel certamente poderia nos ajudar a pensar as formas de sociabilidade que tornam possível essa curiosa manutenção do vínculo mesmo quando a frequência diminui.

Porque amizade não é apenas proximidade.

É reconhecimento.

É memória.

É confiança.

É a certeza de que o outro continua existindo na nossa vida mesmo quando não está diariamente presente.

A sociedade contemporânea, entretanto, transformou frequência em medida de afeto.

Visualizou?

Não respondeu?

Está distante.

Curtiu?

Não curtiu?

Está diferente.

A matemática afetiva das redes sociais é exaustiva.

Mas algumas relações escapam dela.

Há amigos que não precisam de presença constante porque existe algo mais sólido entre eles.

Uma espécie de economia afetiva baseada menos na quantidade e mais na qualidade.

Talvez seja uma das coisas bonitas da amizade adulta.

Nós finalmente entendemos que amar alguém não significa estar disponível vinte e quatro horas.

Às vezes significa simplesmente saber:

“Se eu precisar, essa pessoa atende.”

E, em tempos de excesso de conexões, isso talvez seja uma das formas mais raras de intimidade.

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