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Plano de carreira

Políticos vivem na era de topar tudo por dinheiro

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo/IA

Terrivelmente entediante, a ladainha desconexa e, às vezes, lacrimejante dos candidatos a excelências, notadamente os que almejam um empreguinho de altíssimo rendimento na Presidência da República, nos governos estaduais, no Congresso Nacional ou nos parlamentos estaduais e distrital, tem seu lado social exibido gratuitamente em cadeia nacional. Pelo expressivo quantitativo de postulantes, realmente o “cargo” de político se transformou no melhor plano de carreira do país.

Embora a maioria dos eleitores esqueça, somos nós que vamos garantir o futuro “emprego” de quem hoje nos pede voto. Como “funcionário” contratado pelo cidadão, que escolhe, cobra e decide quem permanece na função, nada mais justo que, no ato da entrega do santinho, o candidato a político também ofereça ao eleitor um mínimo de propostas e, mesmo escrito em papel de pão, um breve currículo.

No variadíssimo espectro político apresentado no rádio e na TV tem de tudo um pouco. Algumas centenas de homens e mulheres que circulam pelo horário eleitoral lutam pelo acréscimo de cifras a seus já robustos patrimônios. Apesar das juras de pés juntos, os milhares de candidatos restantes entram na política sem nada, mas dormem e acordam pensando em deixá-la milionários. No mínimo, com um pé de meia sem furos.

O pensamento político unilateral, isto é, baseado nos interesses pessoais, certamente gera críticas, reflexões e frases de efeito na cultura popular e nas redes sociais contra as excelências que buscam exclusivamente um “emprego” ou um cargo bem remunerado nos palácios públicos. Por isso, a luta de morte para não perder a boquinha. Ou seja, quem está não quer sair e, quando sai, se agarra na primeira barra de calça ou de saia que lhe oferece mais um, dois ou três períodos de glória financeira.

Como se vê, a ordem é topar tudo por dinheiro. O povo que se exploda. Literalmente. Pobres, ricos e remediados são amigos do eleitor até a conclusão do pleito. Perdedores, somem por dois ou quatro anos. Vencedores comemoram em família e, logo após, esquecem da obrigação de dar resultados. Pior é não lembrar que o altíssimo salário que irão receber vem, em parte, do suor de quem trabalha de verdade.

Resumindo a ópera, presidente, governador, senadores e deputados federais, estaduais e distritais precisam ter na cabeceira a clássica representação do voto. Pouco importa se ele é ideológico, útil ou polarizado. Importante é que os eleitos tenham sempre certeza de que devem satisfações a quem o “contratou”, o povo. Por enquanto, a máxima do eleitor já dura séculos: O único emprego que o político realmente protege é seu próprio mandato.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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