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No âmago

Luz e sombra

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Texto e Aquarela

Lá, no âmago, vive algo.
Mesmo quando no sono.
Não mistério, mas enigma.
Símbolo que deriva em signo,
Mas evanesce, nas buscas,
Tanto a insistência.

Em geral, há conforto
Na entrega ao natural.
Ainda assim, cógitos despertos,
Quando nos deixamos.

Na latência autômata,
Quem respira por mim?
Eu sei por quem bate meu coração.
Mas, quando não sei de mim,
Quem o lateja?

Admiro os irreflexos.
Flores não se embaraçam.
Nós é que as pensamos,
Na Botânica e no decoro.

Sabe a estrela do mar de suas congêneres
Nesta e noutras galáxias?
Por aqui, o girassol sabe mais do Sol
Do que ele sonha de si.

Todavia, não entra em conta
(Em sua rotina
E mutações tantas),
A luz do dia.
Embora, seja nela o que nos alucina
Em nossas miragens de realidade,
Haja vista espelhos e vaidades.

A noite, sim, É inerente
À sua sua condição volúvel.
Mas, que imperial presença!
Por mais que se afirme,
Na Ciência e no bom senso,
Sombras não existem.
Existissem, nós riríamos um tanto,
De atirarmos bolinhas de escuro,
Geleias de penumbra,
Uns nos outros.

Mas, e nós?
Fé é a certeza
De que nossos idos seres amados
Estarão nos esperando,
Para o além das impermanências:
Nossas idades e até as nossas roupas,
Essas extensões da pele
De soberana importância,
Coberturas de nossa hipocrisia,
A negação de não estarmos nus.
Alguém saberá dizer quantas vezes
Por semana seus futuros espíritos trocarão
De roupas e acessórios por semana?

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