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Dr. Leo

Conheça a história e os segredos do Saluki, o cão dos faraós

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

A história da domesticação dos cães ganha um capítulo fascinante quando olhamos para o Oriente Médio. É de lá que vem o Saluki, um animal de origem árabe que carrega o título de ser, muito provavelmente, a raça de cachorro mais antiga do planeta Terra. Historiadores e pesquisadores acreditam que a linhagem desses animais diferentões tenha surgido a partir de cruzamentos muito antigos entre galgos egípcios e asiáticos.

O prestígio desse animal atravessou milênios e conquistou a realeza de grandes civilizações do passado. No Egito Antigo, o Saluki era considerado um cão real, sendo o bicho de estimação preferido dos próprios faraós muito antes da construção das famosas pirâmides. O respeito por eles era tamanho que, quando morriam, esses cães eram mumificados e enterrados ao lado de seus tutores reais, um privilégio que demonstra o imenso valor que possuíam na época.

Além dos governantes egípcios, outras figuras históricas importantes se renderam aos encantos da raça, como o conquistador Alexandre, o Grande. Para as tribos árabes nômades e os povos antigos da região, esses cachorros não eram simples mercadorias. Eles eram vistos como “enviados por Deus” e considerados um presente sagrado de Alá. Por essa razão, os Salukis nunca eram vendidos no comércio, mas sim ofertados a alguém como uma prova de grande honra.

Ao olhar para o físico de um Saluki, fica fácil entender por que ele se tornou o principal ajudante nas caçadas árabes da Antiguidade. Ele possui uma estrutura corporal totalmente aerodinâmica, combinando uma aparência esbelta e elegante com muita força e resistência. Suas costas são largas e apresentam um leve arqueamento sobre o lombo, que funciona como uma verdadeira mola propulsora para dar impulso nas corridas e rastrear presas com velocidade impressionante.

Detalhes anatômicos marcantes completam o visual desse velocista. O crânio do Saluki é longo e estreito, abrigando olhos profundos e claros que transmitem uma expressão extremamente gentil. Suas orelhas também são longas e charmosas, totalmente cobertas por cabelos lisos. Em termos de porte, os machos costumam ser maiores que as fêmeas, e a raça no geral pode medir entre 51 e 78 centímetros de altura, com um peso que varia de 18 a 27 kg.

O desembarque definitivo desses cães no Ocidente começou a acontecer por volta do ano de 1840, quando os primeiros exemplares surgiram na Europa. Contudo, a consolidação da raça no resto do mundo ocorreu após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Naquela época, oficiais britânicos que serviam no Oriente Médio se encantaram pelos animais e decidiram levá-los para o Reino Unido, espalhando a fama do cão a nível global.

No convívio diário, o Saluki se destaca por ser um animal muito limpo e que, surpreendentemente, não exala aquele odor típico que a maioria dos cachorros possui. Por causa disso, os tutores não precisam dar banhos com tanta frequência, embora a higienização com produtos adequados seja recomendada sempre que ele se sujar em brincadeiras. Outro ponto de atenção estética está na pelagem, que pode ser lisa ou emplumada, exigindo escovação semanal para evitar nós e feridas nas orelhas e dedos.

A personalidade do Saluki equilibra perfeitamente traços de independência com uma devoção comovente. Ao mesmo tempo em que são bichos muito independentes e inteligentes, eles oferecem um olhar caloroso de total companheirismo e fidelidade aos donos. Eles costumam ser bem reservados com rostos estranhos e podem demonstrar timidez se não forem devidamente socializados desde filhotes, mas nunca agem de forma agressiva ou nervosa.

Para quem deseja colocar um companheiro desses dentro de casa, o principal requisito é ter espaço de sobra. Por ser um animal de grande porte que ama correr e se exercitar, o Saluki necessita obrigatoriamente de um ambiente amplo e pátios grandes para brincar. A socialização precoce e o adestramento correto também são fundamentais, inclusive para a convivência com outras raças, já que os Salukis têm uma tendência natural de preferir a companhia de cães da sua própria espécie.

Se a sua família tiver bebês ou crianças muito pequenas, o cuidado deve ser redobrado durante os momentos de lazer. Apesar de os Salukis serem cães extremamente dóceis, dóceis e gentis com os mais novos, eles também são muito agitados e cheios de energia. Por causa disso, qualquer interação ou brincadeira entre o cachorro e as crianças deve ser supervisionada de perto por um adulto para evitar quedas ou pequenos acidentes domésticos.

A saúde do Saluki é considerada exemplar, e a expectativa de vida da raça é bastante longa, variando entre 10 e 17 anos ativos e livres de doenças genéticas graves. Ainda assim, exames periódicos de rotina com o veterinário são indispensáveis, com foco especial na saúde do coração. As enfermidades mais comuns registradas nesses animais ao longo da vida envolvem problemas cardiológicos, como arritmias e o chamado coração inchado.

Por fim, o maior segredo para proteger a vida de um Saluki está diretamente ligado à sua rotina de alimentação e exercícios. O tutor deve evitar a todo custo que o cachorro corra ou pratique atividades intensas logo após se alimentar, pois a raça tem predisposição à torção gástrica, uma condição grave e perigosa. Com esse cuidado simples, atenção ao crescimento das unhas e muito carinho, esse herdeiro dos faraós tem tudo para ser o parceiro mais leal da sua vida.

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Instagram: @leoobernar

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