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Ringue do Supremo

Pau que deu em Xandão pode dar em Mendonça

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Para quem já esbravejou pelos quatro cantos do país que não está feliz no Supremo Tribunal Federal e que o salário de ministro (R$ 46 mil) lhe permite apenas uma “condição média”, o ministro André Mendonça parece que, ao expor o colega Alexandre de Moraes, decidiu jogar exclusivamente para a plateia da seita que o levou à bancada da Corte Suprema. É claro que não defendo e jamais defenderei Moraes. Ele pecou e precisa se explicar aos colegas do STF e à sociedade brasileira.

O problema é que, pecado por pecado, o de Mendonça tem conotação unilateral. Ou seja, com a mesma ênfase que ameaça incluir Alexandre de Moraes no inquérito do escândalo do Banco Master, ele deveria exigir do presidenciável Flávio Bolsonaro a verdade sobre o total do montante repassado por Daniel Vorcaro para produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme relatório inédito do Coaf, os repasses foram muito maiores do que Flávio já admitiu.

Faz tempo que o candidato do PL tenta se explicar, mas só se complica. Nada de anormal para André Mendonça. Nem mesmo o fato de o filho mentiroso do seu mestre mentiroso ser candidato a governar uma nação de 213 milhões de pessoas o incomoda. A preocupação é Alexandre de Moraes e o procurador Paulo Gonet, mesmo que ambos não tenham nenhuma aspiração presidencial. À revelia do plenário da Corte, seria uma tentativa mendonciana de varrer o inevitável para debaixo do tapete?

Quem sabe uma forma menos dolorosa de colocar Moraes no lugar de Flávio Bolsonaro no cadafalso! Seja lá o que for, o fato é que Mendonça levantou a bola para a turma que ele adora, a do gargarejo bolsonarista, chutar. Aproveitando a deixa do ministro terrivelmente parceiro, desde o início da tarde dessa terça-feira (01) os bolsominions mais oportunistas batem bumbo no Senado em favor do impeachment de Xandão, o magistrado que, bom ou ruim, eles não engolem.

Como normalmente acontece em jogos mal jogados, bola mal chutada bate na trave ou é lançada para fora do estádio. Como o plenário precisava ser ouvido em casos como esse, é grande a possibilidade de que o tudo de André Mendonça cabe em nada. Afinal, mesmo os juízes de várzea conseguem entender que um lançamento em profundidade para alcançar o atacante de fora das quatro linhas é impedimento. O de Mendonça para Flávio Mendonça é mais que isso. É banheeeeeeira!

Se depender dos dois pesos e da única medida de André Mendonça, os U$ 12,3 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro de Daniel Vorcaro jamais serão explicados. Faz parte do jogo jogado desde sua indicação ao STF. Quanto à destinação do presidenciável do PL, é bom que o clã e seus seguidores comecem a rezar para que, fora de campo, ele não passe a ter os mesmos soluços do pai. Sobre André Mendonça, convém perguntar ao próprio Alexandre de Moraes e a Flávio Dino, entre outros ministros da Corte Suprema. Como diz um amigo, a porteira foi aberta para a boiada passar. Em outras palavras, tudo indica que o pau que deu em Moraes um dia também dará em Mendonça.

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