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Esperança de renascimento

Sol de Primavera acorda o povo para a paz, sem extremismos políticos

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Criado em 1979 por Beto Guedes e Ronaldo Bastos, o hino em forma de canção Sol de Primavera começa com um verso emblemático para os dias vividos pelas atuais excelências de toga, pelos detentores de mandatos eleitorais e, principalmente, pelos candidatos a cargos que, ao mesmo, garantem imunidade e impunidade para os vencedores. A frase “quando entrar setembro” simboliza a transição do inverno para a primavera, o que, na visão dos autores, representa renovação, esperança e recomeço.

Para o Brasil de André Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro, o simbolismo da expressão é outro. No conceito poético dos compositores Beto Guedes e Ronaldo Bastos, a letra da música pós-ditadura militar revela o desejo de superar dores passadas e abrir o coração para dias melhores. Conforme os torpedos proféticos de Vorcaro, as feridas da esquerda e da extrema-direita permanecem abertas e sem prazo para cicatrização.

Em lugar da renovação política e da esperança por tempos menos traumáticos, setembro entrou e esparramou labaredas e brasas por toda a Praça dos Três Poderes, com respingos pela Esplanada dos Ministérios. Graças ao ímpeto político-ideológico do ministro do STF André Mendonça, a boa nova não veio dos campos, mas de uma cela especial da Papudinha, de onde o perdão dificilmente brotará nos corações das pessoas que, antes do Brasil, só pensam em si.

Por enquanto, o anúncio da estação das flores só trouxe espinhos para o país, para as instituições e para a população, prestes a ser convocada como eleitora de um novo mandatário. Ou seja, se um dia plantamos juntos alguma coisa ou semeamos canções no vento, a doentia e louca polarização política chegou para dividir o desejo coletivo de redemocratização. Tanto que, para aquela corrente que até hoje bate continência para a tirania, o melhor para o Brasil ainda é o retrocesso.

Baseado na poesia que o Brasil sempre representou para o mundo, me mantenho confiante e com a certeza cada vez mais enraizada de que, além da transição para a primavera, setembro de 2026 tem tudo para representar o renascimento. Como já choramos muito e muitos se perderam pelo caminho, tomara que, dependendo do resultado das eleições presidenciais, o mês possa ter como simbolismo o reflorescimento da natureza e da sociedade. Que setembro e o Sol da Primavera acordem definitivamente o povo brasileiro para a paz.

Não nos custa seguir a sugestão dos poetas Beto Guedes e Ronaldo Bastos e tentar inventar uma nova canção e acreditar em um futuro de união e perdão. Como todos nós sabemos de cor a lição, só nos resta entender que, no Brasil do século 21, não cabem mais senhores feudais ou donos eternos do poder. Assim como o Sol de Primavera, o Brasil é de todos. É chegada a hora de, rememorando a metáfora sobre a ditadura, esquecer o fim de um período sombrio e frio (o inverno da repressão) e só lembrar da chegada de tempos mais livres e luminosos. Sejamos de direita, de esquerda ou de centro, sonhar só depende de nós. E que os radicais continuem perdidos pelo caminho.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu em sua estante, e usa um Notebook pra escrever artigos pontuais para Notibras

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