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Amigo dos amigos

Vorcaro derruba a República ou se cala para sempre

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A quem interessa a delação premiada de Daniel Mendonça Castro Gonet Wagner Faria Moraes Fux Bolsonaro Ferreira Vorcaro? Na verdade, a quem ela não interessa? Quem? Quem? Quem? A ninguém, é claro! Entre as numerosas e altíssimas cifras, contratos mandrakes, escândalos envolvendo instituições supostamente sérias e pessoas poderosas, mas sob muitas suspeitas, ela (a delação), nessa altura da confusão, talvez não interesse nem mesmo à Polícia Federal. Esperto e bem assessorado, Vorcaro malandramente começou a atacar de cima para baixo. O problema é que, mesmo enfurnado no gabinete, ele pensou alto com Mendonça.

Como as paredes têm ouvidos e o ministro rabo preso, a história de Mendonça não foi tão verossímil como ele imaginou. Para quem já foi amigo, hoje Vorcaro é o inimigo número um da República. E nós, os terrivelmente honestos? Nós continuaremos vigiando, orando e sorrindo diante do entrelaçamento do Poder Judiciário com os mestres das maracutaias. Saudades do tempo em que a Justiça era cega, inimiga dos amigos do pai, do filho e do Espírito Santo e, principalmente, cabeluda. Saudade da época em que banco era uma instituição respeitada (?) e que só o responsável pela chave do cofre tinha encontros secretos com o banqueiro.

Como o tempo passa, o tempo voa, só quem continua numa boa são aqueles que viraram amigos do dono do tamborete. Duas ou três décadas após o período santificado pelos deuses do Olimpo dourado, bancos e banqueiros continuam dando ordens na República. A diferença é a forma como as excelências e os candidatos a excelências são comprados. Se antes, a negociata era fechada com cheques administrativos, hoje é dinheiro vivo ou transferências no exterior. No PIX só em parcelas fixas e em nome de laranjas. Nos patrasmente, banqueiros pequenos, médios e grandes eram chamados de doutor.

Atualmente, basta o diminutivo irmãozinho para que Vocarinho banque filme sem nexo e sem sexo, mas cheio de complexo, financie campanhas estúpidas e tirânicas, seduza autoridades dos Três Poderes e cale a boca de uma república de bananas, cuja tendência é se transformar em uma currutela de opostos desgastados e que se atraem exclusivamente para serem salvos da guilhotina afiada da lei. Que lei? A de Deus! A nossa faz tempo perdeu a validade. Respondendo a mim mesmo, a delação de Daniel Vorcaro interessa a qualquer um que ofereça impunidade ao ex-proprietário do Master.

Depois do episódio protagonizado pelo ministro André Mendonça, ela passou a interessar à candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para quem não se lembra, o irmão Flávio Bolsonaro jura que, se eleito, vai tirar da cadeia todos os envolvidos no quebra-quebra da Praça do Três Poderes. Como no Brasil acontece de tudo, Daniel Vorcaro entraria na lista e, de quebra, poderia ser ministro da Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. Além de Flávio Bolsonaro, há dezenas de beneficiários de diferentes espectros políticos interessados na língua solta de Vorcaro.

O grau de suas acusações é capaz de incinerar a República. O complicador para quem vive entre o céu e o inferno é a falta de provas para validar um futuro acordo de delação. Por enquanto, a intenção de tirar o foco do Dark Horse, denunciando o diretor-geral da Polícia Federal e integrantes do núcleo do Lula 3, foi escanteada graças ao furor uterino utilizado por André Mendonça para atingir Alexandre de Moraes. E o que pode acontecer? Nada ou quase nada. Tudo dependerá do desfecho do terrible encontro entre Mendonça e Vorcarinho, o amigo de todos. Na pior das hipóteses, Mendonça, que derrubou o castelo de areia de Xandão, futuramente terá de caminhar sob o fio da navalha no plenário e na Segunda Turma do STF. Nada demais para quem tem imunidade e impunidade.

O fato é que ambos perderam a credibilidade, o respeito e a reputação dentro e fora da Corte. Presidente da instituição, o ministro Edson Fachin tem o DNA, o CPF e o registro da melhor hipótese. Assumindo a relatoria do tenebroso e bilionário caso Master, ele tira André Mendonça do caminho, empareda Alexandre de Moraes e silencia a casta bolsonarista. Resumindo a ópera, no auge da campanha presidencial, melhor que o mata-mata termine zero a zero. Sobre Vorcaro, ou ele entrega todos, com provas, e derruba a República, ou será silenciado para sempre. Nesse caso, seu prêmio deve ser a permanência na Papudinha. Afinal, o Brasil precisa estar de pé pelo menos até a noite de 4 de outubro. Depois disso, nem Deus imagina o que pode acontecer.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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