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No cachorródromo

Presente de grego

Publicado

Autor/Imagem:
Eduardo Cesario-Martínez - Foto Irene Araújo

Meu devaneio foi interrompido pela Lúcia, frequentadora assídua do cachorródromo. Ela veio me apresentar o Apolo, um galgo resgatado das corridas clandestinas. Um lindo cachorro, por sinal. Já pensei em ter um, mas creio que não seria uma boa ideia.

— Por que não pega um pra você, Regina? Seria muito bom. Assim, a Bolinha teria companhia.

— Não sei, Lúcia. Já estou cansada de cachorro, e a Bolinha já está velhinha. E quero viajar, preciso viajar. Se eu morasse em casa talvez pegaria. Apartamento é complicado pra mim.

Parece que decepcionei a Lúcia. Ela fez uma cara, meu Deus. Depois sorriu meio de lado.

— Regina, vou ali conversar um pouco com a Paula.

Não sei exatamente quando comecei a frequentar o cachorródromo, a Bolinha estava com dois ou três anos. Talvez menos, talvez mais. Realmente não sei. Hoje, a minha companheira beira os quinze anos.

Tanta gente já passou por aqui. Cachorros, então, nem arrisco a dizer quantos. Uns trezentos? Talvez mais. Ih, muito mais!

Alguns desafetos. Nunca fui do confronto, prefiro observar, quase neutra. Porém, nunca fui com a cara da Fernanda. A velha riponga e seu vira-lata de pelo arrepiado. Será que ela desconfia? Não estou nem aí! Será?

Volto os olhos para a menina e a buldogue, mas elas não estão mais ali deitadas, provavelmente confabulando. Eram reais ou apenas fruto da imaginação de uma velha? E pensar que a Lúcia ainda quer que eu pegue outro cachorro para criar. Na minha idade? Hum!

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